Coluna da Leila - Não olhe (tanto...)

terça-feira, 29 de março de 2016

Maiteí, índios
Desculpem-me  a ausência nestes dias. Tem havido muitos acontecimentos como já informei a vocês. Passei para  o Mestrado em Literatura e o ano letivo começou, sou professora, mas dá pra começar por o blog em dia. A Leila Krüger também andava sumida porque  está escrevendo um novo romance, então comecemos com a coluna dela. Confira!
 Não olhe (tanto...)
 Já dizia o imortal Caetano, na antológica música: “Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é”.

É. Só quem sente sabe.

E a grama do vizinho não é tão verde, nunca é, quanto parece de longe. Tem que pisar, todo dia, em diferentes estações e tempos, para saber. Tem que ser bem de pertinho, dentro do jardim.

As redes sociais, por exemplo. Elas adoram exibir jardins verdejantes, gramas brilhantes: a pessoa só seleciona aquilo que quer mostrar. Às vezes, acaba criando um personagem bem diferente do “real”. Seja para o bem ou para o mal.

E também fora da tela do computador a gente, querendo ou não, ostenta, mostra, aparenta. Por vezes nem nos damos conta da imagem que passamos. Alguns, por outro lado, fazem questão de parecer o que sabem que não são (ou acham que são, mas não são). Cada um tem sua grama verde para olhar e almejar. Cada um sabe o quanto sua grama não é exatamente o Jardim do Éden.

Uma coisa eu aprendi: todo mundo tem seus calcanhares de Aquiles, suas dores, suas sinas. Deus deu a cada um caminho de aprendizado e evolução. Não queiramos ser os outros, mas o melhor que cada um de nós pode ser. Isso exige saber, em primeiro lugar, quem somos de verdade. Meio clichê, mas é: viver é se descobrir, e se descobrir é realmente viver.

E enquanto você olhava a grama verde do vizinho, seu jardim virava mato e até secava…

Não olhe demais para o lado.

Olhe para dentro: seu coração bate, sussurra todo dia segredos e sentimentos (secretos) que às vezes você insiste em ignorar. Está ocupado demais olhando o outro.

Mas lá, em seu singelo peito nu, está o que importa: quem você é. Deixa eu repetir: olhe sempre seu coração. Não passe a vida mirando, incólume, a grama verde (que nem tão verde é) do vizinho. Cada um tem seu caminho.

E cada um sabe a dor e a delícia de ser quem é. Às vezes mais dor, outras vezes mais delícia.

Felicidade é isso: recomeçar sempre, equilibrando-se entre o bem e o mal. Entre querer ser e ser.

No mais: cultive sua grama, seu jardim, não para os outros, mas para você e os que você ama.

 Leila Krüger - Sou romancista, poeta e contista. Tenho obras em jornais, revistas, antologias e portais na Internet. Publiquei Reencontro, meu primeiro livro, pela Editora Novo Século em 2011. Em 2012 publiquei o livro de poemas A Queda da Bastilha e, em 2014, o livro de crônicas Coração em Chamas. Já recebi prêmios nos gêneros conto e poesia. E agora venho com esta coluna aqui no  Tribo do Livro, de alma limpa e coração nu. Facebook: www.facebook.com/leilakrugeroficial Twitter: @Leilakruger Instagram: @Leilakruger - Colunista





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