Coluna da Leila - Simples

terça-feira, 15 de setembro de 2015

Maiteí, índios
Desculpem-me a irregularidade das postagens no  último mês. É que estou na reta final de uma monografia que já deveria ter entregado e ainda por cima o início do mês foi de Bienal até o último domingo que passou. Porém agora vamos acertar o passo e colocar as coisas em dia. A Leila Krüger também andava sumida porque  está escrevendo um novo romance, então comecemos com a coluna dela. Confira!



Sabe aquela música dos Engenheiros:

 Já perdemos muito tempo
brincando de perfeição
esquecemos o que somos:
simples de coração.

“Simples de coração.” Adoro o que ela fala nesse refrão. O Gessinger às vezes é abstrato demais, mas nessa ele acertou no centro do alvo.

Ao menos pra mim.

Coisa mais rara de se ver essa “simplicidade”, essa despretensão, essa coisa de não entrar e não querer entrar na roda do “ser bom em tudo”, e mostrar isso a todo mundo, tão em voga hoje em dia, ou tô errada?

Essas asas de anjo pesam... disse a Clarice Lispector. Tão grandes, e de mentirinha. A gente não é tão anjo assim, e a gente tantas vezes tenta ser, e deixa que nos digam que precisamos disso.

Qualquer olho com um mínimo de atenção vê – nós não somos perfeitos. Estamos longe disso. A um universo – humano – disso. Não somos tão bons.
Mas, ah... hoje em dia as pessoas meio que veem só de relance, me parece às vezes...
Nós somos quem somos. E um dia seremos, talvez, quem sonhamos hoje ser.
Mas hoje é hoje.
Pra que tanta força?
E é isso o que dez minutos para a meia-noite me contam. Que a gente precisa se lembrar daquela coisa bonita que é ser simples de coração. Tão simples que não tem nem muito o que explicar.
E dane-se o sistema, dane-se quem achar que a gente tem que sempre corresponder. As propagandas na TV. Os filmes, os heróis e as heroínas dos livros. As pessoas, que costumam achar que devemos alguma coisa a elas, quando elas também devem tanto. Corresponder, mas com calma e compreensão, só à nossa própria felicidade, a quem somos de verdade, a nossa fidelidade.
É tão simples.
Mas me parece que as flores andam um tanto plastificadas, esquecem-se de que não são feitas para se olhar de relance...
O aroma, o que importa, e difere, vem de dentro.
E é necessário chegar bem perto pra sentir.
E bem de perto, como diz o Caetano, ninguém é normal.
Mas o que é normal? Com certeza, não é ser tão bom assim como nos ensinam Hollywood, ou as revistas, ou os outdoors, ou as pessoas que vivem engolidas por um sistema frenético de vaidade extrema baseada no consumo de artigos e ideias.
Ser simples, ser único, ter paz. Isso basta, ao menos para quem gostar da gente de verdade.
Esses que importam. Isso que importa. Gostar de verdade, se gostar de verdade.
Não brincar de perfeição. Não esperar perfeição. Ser simples de coração.
É simples...

Leila Krüger - Sou romancista, poeta e contista. Tenho obras em jornais, revistas, antologias e portais na Internet. Publiquei Reencontro, meu primeiro livro, pela Editora Novo Século em 2011. Em 2012 publiquei o livro de poemas A Queda da Bastilha e, em 2014, o livro de crônicas Coração em Chamas. Já recebi prêmios nos gêneros conto e poesia. E agora venho com esta coluna aqui no Tribo do Livro, de alma limpa e coração nu. Facebook: www.facebook.com/leilakrugeroficial Twitter: @Leilakruger Instagram: @Leilakruger - Colunista

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