Coluna da Leila - Guerra à guerra

quinta-feira, 2 de julho de 2015

Maiteí, índios
Desculpem-me a nossa ausência. Vamos a mais um texto sempre coerente e interessante da escritora Leila Kruger
GUERRA À GUERRA


     O Brasil sacudido por uma onda de guerra. Um tsunami. Não são os Estados Unidos, a aprovação da lei que permite o casamento civil de homossexuais em todos os estados americanos – isso já é permitido no Brasil. Não é o arco-íris na fotinho, projeto lançado pelo dono do Facebook – e do mundo? –, o Mark Zuckerberg. É bem mais que isso.

É esse conflito ideológico-religioso-moral que invade nosso país. Tem gente que quer boicotar. Boicotar o quê? Empresas gay friendly, tipo O Boticário. (Que eles não se esqueçam do Facebook, da Coca-Cola, da maioria das editoras, empresas de aviação, da Apple, da Microsoft etc.) Tem gente que se pendura em uma cruz para protestar, os “cristos” da sociedade. Cada um apelando do seu jeito. Ninguém disse que só um lado é agressor.

 Mas eu falava em guerra. Vamos olhar as do passado: elas tiveram seu papel para estabelecer os limites geográficos do mundo, porém a maioria se concentrou em fazer algo em que o ser humano sempre foi especialista: segregação. Rejeitar e perseguir o próximo. As minorias. Negros, judeus, índios, mulheres, religiosos de diferentes crenças – cristãos ainda morrem decapitados, muçulmanos são perseguidos como se todos fossem membros do Isis, o grupo mais extremo do islamismo. Até ruivos já foram perseguidos como resultados de relações impuras, canhotos eram bruxos. Homossexuais. Pessoas que se sentem realizadas afetivamente com pessoas do mesmo sexo.

 E além do mais, é uma simples questão jurídica: a Constituição Federal dá a cada cidadão brasileiro os direitos de: 
Artigo terceiro:
 IV - promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação. 
 VI - defesa da paz;
VII - solução pacífica dos conflitos; 
Artigo quarto:
 III - ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano ou degradante;
 VIII - ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em lei; Ninguém será privado de direitos. Deu pra entender? Como Cristo falou, “a César o que é de César”. Qualquer cidadão tem o direito de se casar com quem quiser, legando bens ao seu par e seus dependentes.

 E mais: 
XLI - a lei punirá qualquer discriminação atentatória dos direitos e liberdades fundamentais. 

Liberdades fundamentais. Ser quem você é, a maior liberdade que há.

 É tão claro! Por que você condena a comemoração da concessão de direitos fundamentais a uma minoria social? Um dia os negros não podiam estudar com os brancos. Um dia os índios não podiam nem estudar, eram apenas escravos. Um dia os judeus foram incinerados em câmaras de gás. As mulheres não podiam nem votar. 
 Se você é um cidadão correto, vai reconhecer os direitos de qualquer cidadão. Você não precisa concordar, apenas aceitar a liberdade fundamental de cada um ser quem é. Aceitando, você não faz apologia; você simplesmente cumpre a Lei.
 Direitos arduamente conquistados tem que ser saudados. Não há coisa mais dolorosa que não poder levar uma vida digna por ser quem você é, ou quem quer ser. 

 Quantas torturas, mortes, ofensas e vidas destruídas poderiam ter sido evitadas se o ser humano fosse mais humano e aceitasse as diferenças. A História tem nos ensinado o quanto podemos ser cruéis. E o quanto podemos, também, praticar atos de amor.
 Amar é bem mais difícil que fazer guerra. 
 Amar é aceitar. 
O amor não é constitucional, mas essa é uma parte essencial do cristianismo já que o amor é a essência de Deus. Hoje pode ser aquele cara ou aquela garota, amanhã pode ser você a ter seus direitos e sua dignidade afrontados por alguém que não te compreende. Que não compreende a necessidade básica de aceitar as diferenças. 

Graças a Deus não somos todos iguais. 
E é por isso que somos tão belos.

Leila Krüger - Sou romancista, poeta e contista. Tenho obras em jornais, revistas, antologias e portais na Internet. Publiquei Reencontro, meu primeiro livro, pela Editora Novo Século em 2011. Em 2012 publiquei o livro de poemas A Queda da Bastilha e, em 2014, o livro de crônicas Coração em Chamas. Já recebi prêmios nos gêneros conto e poesia. E agora venho com esta coluna aqui no  Tribo do Livro, de alma limpa e coração nu. Facebook: www.facebook.com/leilakrugeroficial Twitter: @Leilakruger Instagram: @Leilakruger - Colunista

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