Coluna da Leila - A difícil arte de aceitar o amor

quinta-feira, 26 de março de 2015

 Maiteí, índios
Vamos a mais uma coluna especial da escritora Leila Krüger


O ser humano, em sua nada inocente biografia na terra, nunca foi muito favorável a diferenças, minorias, novidades. Mas peraí, na verdade o ser humano nunca foi, em geral, nada tolerante com o seu próximo. Estão aí as guerras, os massacres, a violência, a segregação social, o bullying, os suicídios em números alarmantes, os consultórios de psiquiatras e psicólogos lotados, remédios para ficar feliz vivendo em um mundo que simplesmente não entende o diferente, o que não é maioria, está tudo aí para provar o quanto o ser humano é desumano.

E não falo só de desfavorecidos: ricos sofrem preconceito assim como pobres, pessoas bonitas como as feias, magras e gordas, burras e inteligentes; mulher bonita, inteligente e rica, já imaginou o preconceito de três coisas juntas? Pior uma quarta, se ela for homossexual.


Pois falando em homossexualidade – e não homossexualismo, que é um conceito negativo e que tende para a promiscuidade –, logo se pensa na intolerância para com o amor. Não to falando de libertinagem, pegação, azaração, curiosidade, sexo selvagem grupal, to falando de casais homoafetivos que realmente se amam, porque não se pode dar ordens ao coração.Durante milênios as instituições religiosas em sua grande maioria pisotearam e condenaram e mataram homossexuais, também instituições políticas e sociais, resumindo, quase todos os seres humanos jogaram pedras nos que estavam jogados no chão. As desculpas são infinitas. Mas, em geral, é “safadeza”, “contra a natureza”, “contra Deus” – isso que Deus, como Ele mesmo fala, é amor em essência. Era doença até pouco tempo, muitos ainda pensam assim. Fácil deduzir que tudo o que é diferente da maioria é problemático, e não apenas diferente, né? Eu já fui da galera que não aceita sem nem mesmo questionar o porquê de não aceitar, que cegamente obedece a leis e ideias ultrapassadas e descontextualizadas, que acha um orgulho ser uma “pessoa correta”, ou seja, que não aceita quase nada  do que é diferente do que aprendeu, do que entende.


Por que essa conversa toda? Fernanda Montenegro e Nathalia Thimberg se beijaram em uma novela, na boca, e elas estão há 35 anos juntas nessa trama, um absurdo, como assim juntas há décadas, duas mulheres, falta de vergonha na cara, falta de homem, nojento, antinatural, asqueroso, péssimo exemplo, tirem as crianças da sala, muito melhor estupros, assassinatos, adultérios e roubos na TV do que a infâmia de duas pessoas do mesmo sexo que se amam. Não é safadeza, não, é companheirismo, é amor.


De que adianta obrigar uma pessoa a gostar do sexo oposto, a estar com alguém que não ama só para se enganar, e à família e à sociedade? A hipocrisia, o fingimento não é muito mais nojento que qualquer tipo de amor? Os milênios não mudaram o jeito humano de ser, as aparências continuam sendo mais importantes que a essência.


Este é o cúmulo da intolerância humana – não aceitar o amor. E o que a gente ama é o que a gente é, como a cor da nossa pele, dos nossos olhos, como o formato do nosso corpo, como a forma do nosso coração que nós não escolhemos. Em um mundo como o nosso, repleto de sofrimento e dor, amor é sempre bem-vindo. Amar é a maior liberdade que um ser humano pode ter. A maior que pode dar a alguém, a liberdade de ele amar também.

O amor é maior do que todas as diferenças. O amor é o que faz a nossa cruel raça humana valer a pena. Ame o que você ama, deixe as pessoas amarem o que elas amam, ilumine esse mundo escuro com essa corrente forte do amor incondicional. O amor é nossa salvação. O amor é a presença de Deus em nós, reles humanos, e nas pessoas que amamos.

  Leila Krüger - Sou romancista, poeta e contista. Tenho obras em jornais, revistas, antologias e portais na Internet. Publiquei Reencontro, meu primeiro livro, pela Editora Novo Século em 2011. Em 2012 publiquei o livro de poemas A Queda da Bastilha e, em 2014, o livro de crônicas Coração em Chamas. Já recebi prêmios nos gêneros conto e poesia. E agora venho com esta coluna aqui no  Tribo do Livro, de alma limpa e coração nu. Facebook: www.facebook.com/leilakrugeroficial Twitter: @Leilakruger Instagram: @Leilakruger - Colunista

6 comentários :

  1. Uau, bela posição e descrição, pois realmente é difícil o ser humano aceitar as diferenças, aceitar o próximo, sendo que ele não aceita nem a si mesmo.
    Lindo.

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  2. eu particularmente acho lindo esses casais, se assumem sem medo, pra ficar do lado da pessoa que ama, enfrentam o preconceito dos outros, acho ate´que os casais homossexuais se amam mais e se respeitam mais do que a maioria os casais que a maioria das pessoas chamam de "normais".

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  3. realmente este é o cúmulo da intolerância humana – não aceitar o amor. gostei da Coluna, parabéns...
    *__*

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  5. OLá leila! Bonito texto, bom posicionamento. Dificil o tema, pois embora a tematica seja; amor e preconceito, existe elementos ali minuciosos. Como no cubismo, ao enxergar por varios angulos há o que extrair de maravilhoso em relações homomssexuais. Tenho grandes amigo gays (mulheres e homens), pessoas respeitaveis, amaveis, humanistas ao extremo e é dificil de assim dizer; eu, amante incondicional da teologia, da historia da religião (embora decepcionado com a condição do sistema religioso atual). Conheço gays mais cheios de DEUS do que religiosos, conheço dramas de pessoas vivendo em situações assim, tendo que enfrentar o mundo pelo que amam. Mas, como disse o tema é complexo e embora eu tenha os meus prós e contras, prefiro deixar aqui o meu "pró" a favor do abandono incondicional do preconceito; religioso ou não, moralista ou não. Amemo-nos, respeitemo-nos em nossas escolhas e diferenças. Deus nos ajude. Grande abraço minha linda!

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  6. Cúmulo da intolerância humana mesmo. Muita gente vive dizendo que busca o amor, mas não sabe aceitar que ele existe das mais variadas formas. Haja hipocrisia, né? Amor é amor, seja de qual forma ele for.

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