Coluna da Paloma - Vinte Garotos no Verão

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Maiteí, índios

Apesar de não ser dia 22, tem Coluna da Paloma chegando. Vamos conferir a opinião dela sobre Vinte garotos no Verão.

Sinopse
Quando alguém que você ama morre, as pessoas perguntam como você está, mas não querem saber de verdade. Elas buscam a afirmação de que você está bem, de que você aprecia a preocupação delas, de que a vida continua. Em segredo, elas se perguntam quando a obrigação de perguntar terminará (depois de três meses, por sinal. Escrito ou não escrito, é esse o tempo que as pessoas levam para esquecer algo que você jamais esquecerá).
As pessoas não querem saber que você jamais comerá bolo de aniversário de novo porque não quer apagar o sabor mágico de cobertura nos lábios beijados por ele. Que você acorda todos os dias se perguntando por que você está viva e ele não. Que na primeira tarde de suas férias de verdade você se senta diante do mar, o rosto quente sob o sol, desejando que ele lhe dê um sinal de que está tudo bem.

  Todo mundo já teve um primeiro amor adolescente. No meu caso, foi na quinta série, pelo o pior aluno da escola. Gabriel Lucas era o tipo bad boy que só queria vadiar. Ele era odiado desde a tia da faxina até os diretores da escola, convidado a se retirar da instituição duas vezes – uma delas, inclusive, porque tirou as calças no meio da aula de português. Na segunda série. Basicamente, com doze anos -. Ele era o capeta, mas pra nerd certinha e fofa com média nove no boletim (essa era eu!), ele era o partido perfeito.


                Acontece que quinze garotas na minha sala estavam afim dele. Dessas quinze, todas as minhas amigas se encontravam. E aí, quem vocês acham que ele ia escolher? A nerd fofa? Claro que não! Ele escolheu a descolada que sabia andar de skate! Eu me lembro de ter chorado no colo da minha mãe a tarde inteira – porque pra completar o drama, eu e Gabriel Lucas viramos amigos – falando “ele não podia ter feito isso comigo!” enquanto ela repetia exaustivamente que mulher não pode chorar por homem algum! Nem pelo Johnny Depp.

                Aonde eu quero chegar com todo esse melodrama adolescente? Imagine-se com o seu primeiro amor. O primeiro, correspondido ou não. Aquele amor adolescente de acelerar o coração e suar as mãos. O primeiro, esse mesmo. Imagine que ele te beijou, vocês confessaram que gostam o suficiente um do outro para ficarem juntos e assumirem isso, imaginem que sua melhor amiga é irmã dele. Imagine-se nesse perfeito conto de fadas adolescente durante um mês. Até que de um dia para o outro, ele morre. Eu não sei você, mas isso chamou minha atenção, isso me comoveu.

                 A base principal desse livro é, claro, a perda de Matt e como superar essa perda. Como superar esse amor que poderia ter sido e não foi. Uma situação é um relacionamento que não dá certo e as duas partes (ou uma delas) quer terminar. Outra situação absolutamente diferente e muito mais complicada é uma das partes simplesmente sumir, partir, ir embora sem direito de escolha... e quando se tem dezesseis anos, tudo isso fica mais pesado. Mas, ainda assim, Sarah Ockler trata o assunto de uma forma tão leve quanto uma pluma. Você consegue acompanhar a história sem chorar por três dias seguidos, em posição fetal no seu quarto escuro.

                Deb Calletti, autora dos livros Um lugar para Fica e Meu Amor, Meu Bem, Meu Querido, definiu Vinte Garotos no Verão como uma história sensível e delicada sobre amor, perda e seguir em frente. E eu realmente não vejo palavras melhores do que essas pra resumir esse livro, pelo menos não sobre esse primeiro tema. O livro ainda possui sub-assuntos, como a adolescência, a loucura de não ser entendido, o medo, a confusão, a imensa importância de conseguir o biquíni perfeito e claro, o uso da sexualidade pra fugir da realidade. E a autora conseguiu mesclar tudo isso sem se perder, toda a história ficou natural e fluída.
                Foi uma das minhas melhores apostas. Um dos poucos bons livros com a temática adolescente que eu já li. 


Paloma Oliveira, Pam ou Café. A idade varia entre cinco anos, quando está com seu enteado e sessenta, quando acorda segunda-feira de manhã. Tem espírito italiano porque se tem algo que leva a sério é o Bel far niente! Apaixonou-se por história aos 14 anos, amor que segue até hoje. Nerd assumida e louca por Darth Vader, Don Vito Corleone e Sr. K. Seu coração literário bate mais forte por Dan Brown, Harlan Coben e A.M. Ben Noach.- Colunista

Um comentário :

  1. Exatamente isso, querem saber para onde foram, mas não quer saber ou tem medo da resposta. O fato do primeiro amor ter morrido me comoveu e muito tbm

    ResponderExcluir

A Tribo Participa

Get your own free Blogoversary button!

PUBLICIDADE


Lomadee, uma nova espécie na web. A maior plataforma de afiliados da América Latina.


Lomadee, uma nova espécie na web. A maior plataforma de afiliados da América Latina.

Tribo Apoia

Top Comentaristas

Widget by: Code Box

Clique