Da Letra à Tela - A menina que roubava livros

domingo, 9 de fevereiro de 2014


*Sinopse
Durante a Segunda Guerra Mundial, uma jovem garota chamada Liesel Meminger (Sophie Nélisse) sobrevive fora de Munique através dos livros que ela rouba. Ajudada por seu pai adotivo (Geoffrey Rush), ela aprende a ler e partilhar livros com seus amigos, incluindo um homem judeu (Ben Schnetzer) que vive na clandestinidade em sua casa. Enquanto não está lendo ou estudando, ela realiza algumas tarefas para a mãe (Emily Watson) e brinca com a amigo Rudy (Nico Liersch).




Olha, li o livro já faz muito tempo, e  não sou de releituras e de mais a mais meu tempo tem andado curto. Por isso fui ao cinema de peito aberto, com o  que me lembrava do que li, dos acontecimentos e tudo mais e vou dizer, não me decepcionei com o que vi na telona.

UMA PEQUENA TEORIA
As pessoas só observam as cores do dia no começo e no fim, mas, para mim, está muito claro que o dia se funde através de uma multidão de matizes e entonações, a cada momento que passa.
Uma só hora pode consistir em milhares de cores diferentes.
Amarelos céreos, azuis borrifados de nuvens. Escuridões enevoadas.
No meu ramo de atividade, faço questão de notá-los.

É obvio que um livro de 480 páginas na cabe em um pouco mais que 120 minutos de filme, porém sempre penso que  para determinados gêneros a essência é que tem que permanecer. E isso, ademais de algumas modificações, A menina que roubava livros conseguiu. O roteirista Michael Petroni ( As Crônicas de Nárnia - O peregrino  da alvorada), fez um trabalho de garimpo no livro, e mesmo omitindo algumas passagens, na perdeu "o fio da meada". Por exemplo, no livro Max dá a Liesel um livro com treze páginas de descrições de suas vivências ali, junto deles. Já no filme, Max faz um diário para ela, para que ela escreva, escreva sobre tudo e todos. Outra coisa também bastante sutil, e até de certa forma relevante em fazer referência a Max, e, é claro que é possível perceber  que há uma certa alusão nesta troca dos livros, – que Liesel rouba da fogueira,– é intencional  Dar de ombros foi trocando por O homem invisível, do mesmo autor  H. G. Wells.


 Está tudo lá, como a morte narrou, porque quando a morte conta uma história, você deve parar para ler, ou ver.



É só uma pequena história, na verdade, sobre, entre outras coisas:
* Uma menina
* Algumas palavras
* Um acordeonista
* Uns alemães fanáticos
* Um lutador judeu
* E uma porção de roubos

Vi três vezes a menina que roubava livros.


O filme não foi feito só para quem leu o livro, e, é provável que os que gostaram da obra, vão reclamar, como sempre reclamam das mudanças. É inútil explicar que a transcrição de uma mídia para outra é algo complexo. Você pode ler um livro em um dia ou dois e vai entender tudo que o que aconteceu, porém sempre quando você vai contar a alguém sobre o que leu, a maior parte da história se perder. Mas aquilo que te marcou, alguns diálogos entre os personagens, cenas fortes, isto sim vai ficar vívido em sua memória. O que é melhor ainda, porque é isso que vai fazer você recomendar o livro para outras pessoas. É isso o que ocorre quando um livro é bem adaptado para o cinema.

As atuações foram impecáveis do meu ponto de vista, atores como Geoffrey Rush e Emily Watson, não precisam de apresentações. A jovem Sophie Nélisse, como nossa querida roubadora de livros, Liesel, deu vida a uma linda personagem, que é forte se saber ao certo que é. Que vive a vida apesar de todas as adversidades e que no fundo não entende muito bem o regime, não aceita bem as normas e burla as regras através dos livros, o que é algo fascinante. E também o adorável Rudy Steiner, que o destino titulou seu eterno amigo.
As três pessoas que foram comigo ao cinema não leram o livro, bem que tentei fazer com que lessem rsrsr..., porém saíram da sala encantadas com a história. Com a sensibilidade que o filme passa,  com a pureza da personagem, com a coragem daquela família de abrigar um judeu naquele momento histórico. Porque uma narrativa que tem como pano de fundo a Segunda Guerra e como prisma o ponto de vista alemão, é de tirar o fôlego. A toda hora na expectativa da descoberta.

Não tenho nada a depor contra este filme, excelente adaptação de um romance que vendeu  mais de 8 milhões de livro no mundo inteiro. É fato que a narração da morte se perde na tela, mas ela está lá sempre permeando a narrativa. Vá conferir e tire suas próprias conclusões. Recomendadíssimo.

*http://www.adorocinema.com/filmes/filme-204237/

Verônica Sobreira -  Formada em Letras,  especializando-me em Crítica Literária. Nunca pensei em ser escritora, e sim em ser "expert"  em escrita. Amo ler desde sempre, leio de tudo um pouco, porém adoro a literatura de ficção sobre anjos. Consigo ler mais de dois livros ao mesmo tempo. O blog além de divertimento, é a extensão do meu trabalho que levo muito a sério -Administradora do Blog



6 comentários :

  1. Muitas pessoas irão discordar de mim, porém achei o filme melhor do que o livro. O livro quando o li não tinha gostado muito, achei a narrativa pesada, só fui me adaptar ao livro no final. Já no filme, eu gostei do começo ao fim, e sempre vinha cenas que roubava lágrimas, rs. Enfim o livro é muito bom, porém o filme é maravilhoso.
    http://exceptionss.blogspot.com.br/

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    1. Obrigado pela visita e pelo comentário. Eu adorei mesmo o filme e concordo que é pesado de muitos pontos de vista. O filme está fazendo muitas pessoas procurarem o livro, vi isso ontem na livraria.

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  2. Oi Ver, eu ainda não li este livro, e te confesso que não pretendo ler. Sei que deve ser uma linda e emocionante história, mas no momento não faz o estilo que gosto. Não curto muito livros com muito sofrimento e dramas... Pode ser que algum dia eu mude de ideia, e sinta vontade de conferir esta história, quem sabe?
    Quanto ao filme tenho ouvido muitos elogios e estou com vontade de assistir.
    Ótima resenha, bjus
    Lia Christo
    www.docesletras.com.br

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  3. Esse é o meu livro favorito, pois eu sempre digo que foi ele quem me escolheu para ler e não eu :D Espero que eu goste do filme, porque sou muito chata com adaptações!
    Que bom que você gostou do filme *-*

    Beijos invernode1996.blogspot.com.br

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  4. Oi Ver!
    Esse livro é um dos meus favoritos, um livro com uma narrativa envolvente e encantadora, poético e atemporal.
    Ainda não assisti o filme, e isso é imperdoável, sei que naturalmente são necessárias adaptações para enquadrar o roteiro nas telonas, mas dp de ler sua resenha sei que vou me emocionar e me encantar outra vez <3
    Bjs

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  5. Estou querendo muito assistir a esse filme. O livro é encantador, espetacular e maravilhoso. Não vi o filme ainda mais por receio de decepcionar perante a imagem que tenho do livro. Espero tomar coragem de assistir ao filme logo. rs

    M&N | Desbrava(dores) de livros

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