Coluna da Paloma - Esconda-se

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Maiteí, índios
Como vocês devem ter percebido a Coluna da Paloma sai todo dia 22, mas devido estarmos fazendo um especial de resenhas sensuais, vamos postar hoje e depois retornamos as resenhas. Paloma vai ter que dar um tempinho na leitura e escrita de sua coluna, pois os estudos estão sugando muito de seu tempo. Ela volta durante as férias de meio de ano. Confira mais uma opinião dessa menina sagaz.

                 Todos vimos aquelas meninas – disse rispidamente. – Vimos o que aconteceu com elas... – D.D. sacudiu a cabeça, sem conseguir continuar. Ao redor da mesa, todos desviaram os olhares desconfortavelmente.  Detetives de homicídio viam muita coisa, mas os casos que envolviam crianças sempre incomodavam mais. D.D. limpou a garganta.
                - Quero mandá-las para casa. Faz trinta anos. É muito tempo. É... muito triste para todos nós. Então, vamos fazer isso, está bem? Sei que todo mundo está cansado e estressado. Mas precisamos fazer um esforço extra. Vamos fazer isso acontecer. Vamos mandar essas meninas para casa, para as famílias delas. E, então, vamos atrás do filho da puta que fez isso até o fim do mundo e vamos prendê-lo. Parece um bom plano? Eu acho que sim. D.D. se afastou da mesa e caminhou em direção à porta. Houve um minuto inteiro de silêncio. Então, um a um, os detetives voltaram ao trabalho.


                De todos os livros que já me surpreenderam em minha pequena vida literária, Esconda-se sem dúvida foi o mais evidente. Foi o que mais me tomou, o que mais me prendeu, o que mais me fez pular. Eu, Paloma Oliveira, estou dizendo que Lisa Gardner superou meus dois autores-“policiais” que me causam um AVC: Dan Brown e Harlan Coben. Se você acompanha a minha coluna, você deve perceber que ISSO significa alguma coisa.
                O livro começa com a apresentação de uma mulher de 32 anos, que teve diversos nomes em diversas cidades. Em Boston ela era Annabelle Granger. Aos sete anos, o pai dessa personagem, um professor da MIT, decidiu fugir. Do que ou de quem, ninguém sabe. Annabelle passou dos sete aos vinte e dois anos fugindo de uma sombra, de uma ameaça que sequer sabia o que era. O pai da menina, agora mulher, morreu antes que ela pudesse ter a chance de deixar de odiá-lo e antes de poder saber o qual era a grande ameaça.
                E paralelamente a essa história, temos o caso nas mãos da força-tarefa de Boston. Uma câmara subterrânea é descoberta e com ela, quatro meninas mumificadas há mais de trinta anos em sacos plásticos, cada qual com um objeto sentimental pendurado nele. D.D e Bobby Dodge são os que encabeçam não a investigação, mas essa parte do livro.
                Pelas informações que recebi, esse é o segundo livro da série D.D. Eu fiquei receosa por não entender o que estava acontecendo ali, mas não tive nenhum problema, na verdade. A história é bem construída pra quem não leu o primeiro livro. Pelo menos, eu senti essa atenção que autora deu.
                Algo que chamou minha atenção desde a primeira linha, e não é nada dessa publicidade enfadonha pra você ler o livro, é que a obra realmente me prendeu. Foi imediato, abriu na primeira página, começou a ler e pronto. Eu não fui fisgada, acho que agarrada é a palavra mais correta. E não sei se foi só pelo início meio maluco de uma criança de sete anos fugindo de algo que ela sequer sabe o que é. Teve algo a mais.
                Depois do primeiro capítulo, veio o detetive Dodge. Junto com ele, a história desse personagem e D.D. além de todo o envolvimento com o caso da câmara. E eu vi que eu não fui agarrada só pela história de Annabelle, mas também por esses personagens que eu conhecia há... três parágrafos.
                Então veio a pequena reunião da força-tarefa que investiga todo esse caso. Foi somente um capítulo para apresentar uma série de personagens e não sei como diabos Lisa Gardner fez isso, mas eu me senti naquela sala, com aquelas pessoas e essa investigação tão triste e pesada nas mãos.
                E foi exatamente isso que me prendeu ao livro no primeiro instante. A capacidade da autora de fazer com que você se apegue aos personagens, de fazer com que você acredite que são pessoas de verdade. A maioria das séries policiais – não só literárias quanto de TV – mostram um lado quase divino dos policiais ou de quem quer que resolva o caso, como um professor universitário de Harvard...
                E não foi só isso. O trabalho de pesquisa de Lisa foi quase apaixonante! Eu me recuso a acreditar que essa pessoa não tenha sequer uma ligaçãozinha com a polícia. É tudo tão... real! Eu sempre gostei de séries policiais com perseguições malucas e acontecimentos que fazem meu coração parar. Mas algo que nunca gostei foi da pista divina.          
                A pista divina acontece quando o personagem principal do romance policial está à procura do sujeito quando a pista surge DO NADA no colo dele e pronto, caso encerrado. Policial não tem ligação direta com Deus. Pode ter proteção, mas o culpado bater na porta dele e falar “oi, tô querendo assumir meus crimes”? Isso nunca acontece.
                E isso nunca acontece em Esconda-se. A narrativa começa com nenhuma pista, depois o caso vai se auto-construindo. No momento seguinte você tem um milhão de pistas e precisa descobrir quais são realmente viáveis para o caso e quais vão para a lixeira. E no final, você precisa decidir se acredita no que fez o não. E se algo estiver errado? Você começa tudo de novo.
                Esse é o trabalho de um policial, é assim que o sistema funciona. Eu sei que eu estou apaixonada pela escrita e desenvolvimento de Gardner. Ela parece ter o dom de escrever, Santo Deus, ela realmente nasceu para isso! E eu vou definitivamente continuar caçando os livros dela porque, foi a primeira narrativa que fez com que eu me apaixonasse na primeira linha, rs. 

Paloma Oliveira ou só Pam. 17 anos físicos, 60 anos mentais. Sou o verdadeiro exemplo de metamorfose ambulante e mudança radical de humor. Odeio chuchu, má educação e exageros desnecessários. Amo Pepsi, anjos e vira-latas. Tentada a cursa História, Psicologia ou salvar às crianças famintas da África. Sempre surto com beijos românticos de casais apaixonados. Colunista

3 comentários :

  1. Oi Paloma!
    Ainda não li nada da autora (tenho Viva para contar aguardando a vez para leitura) e fiquei encantada com sua paixão pela narrativa de Lisa Gardner, uma narrativa que é descrita como envolvente, surpreendente, que prende a atenção do início ao fim e que superou Dan Brown e Harlan Coben!!!
    Vou aproveitar os dias de Carnaval para conferir Viva para Contar e já incluí na lista dos desejados Esconda-se.
    Bjs

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  2. Paloma, sua resenha está eletrizante! kkk
    Quase fiquei sem fôlego lendo.
    Tenho este livro aqui na lista de livros a serem lidos, mas depois de ler sua resenha e ver a maneira como a história te tocou, confesso que me deu vontade de furar a fila... kkkkkkk
    Lia Christo
    www.docesletras.com.br

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  3. Necessito ler esse livro. Sou um fã do Dan Brown e se você diz que superou os livros dele, certamente significa muita coisa. Não conhecia a autora e nem o livro, mas já entrou na minha lista de leitura.

    M&N | Desbrava(dores) de livros

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