Sobre a Ficção

terça-feira, 22 de janeiro de 2013



Ontem conversando com uma amiga blogueira sobre um livro que ela havia lido, ela me falou uma coisa que achei interessante, que o livro não lhe pareceu crível. E ai pensei? O que é uma narrativa crível, verossímil? Partindo do princípio de que a ficção é um dos gêneros da tipologia narrativa. Ela não tem compromisso com a realidade e por isso pode ser vistas por diversos prismas. Mas quando lemos um livro por mais que saibamos tratar-se de uma ficção, sempre queremos encontrar um gancho com a realidade ou o real. É por isso que muitas narrativas não nos parece "críveis", pois deixa-nos a sensação de que falta algo.

Então o que seria ficção?

Segundo Afrânio Coutinho: a palavra ficção vem do latim, fictionem (fingere, fictum): ato ou efeito de fingir, inventar simular; suposição; coisa imaginária, criação da imaginação. 

Portanto, a literatura de ficção é aquela que contém uma história inventada ou fingida, fictícia, imaginada, resultado de uma invenção imaginativa, com ou sem intenção de enganar. A essência da ficção é, pois, a narrativa. Para que tenha valor artístico, a ficção exige uma técnica de arranjo e apresentação, que comunicará a narrativa beleza de forma, estrutura e unidade de efeito. A ficção é produto da imaginação criadora, embora como toda arte, suas raízes mergulhem na experiência humana.

A ficção pode ficar próxima ou distante do reino da experiência humana real. Submetendo-se ao real, temos a ficção realista, fugindo ao real, surge a ficção romântica ou fantasista.Mesmo quando recebe sugestões do real, não tem por obrigação copiá-las, reproduzi-las fielmente. O seu sentido não é o da realidade mesma, porém aquele que o artista lhe imprime, à luz de sua visão. 

Em literatura, a ficção é um tipo de gênero narrativo e é empregado o termo para designar o romance, a novela, o conto, embora outra formas possuam qualidades da ficção: a fábula, a parábola, os contos e lendas folclóricos, e mesmo o drama. Como todo gênero literário, para ter eficiência e alcançar o objetivo, a ficção – que é uma forma estética – possui elementos característicos perfeitamente distintos.

Em suma, o objetivo principal da ficção é proporcionar a interpretação artística da realidade.

Referências Bibliográficas: COUTINHO, Afrânio. Gênero Ficção. In: Notas de Teoria Literária. Editora Vozes: Petrópolis, RJ. pg: 49-52 

7 comentários :

  1. Adorei o post,acho que ficção é isso mesmo,abrir a imaginação sobre a realidade e poder imaginar muito sem barreiras!!!!

    Acho interessante quando as duas coisas se mesclam e o autor usa da realidade e da ficção para escrever sua história.... mas esse é emu gosto e minha humilde opinião!!!

    bjsss

    Bianca

    http://www.apaixonadasporlivros.com.br/

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  2. Eu gosto muito de livros de ficção. Não são os meus preferidos, mas quando a história, ou seja a ficção é bem trabalhada, gosto de ler e apreciar. Acho muito legal, o autor poder trabalhar com todo o seu lado criativo e imaginativo, sem precisar se ater a realidade dos fatos, mesmo quando ele mescla fatos reais a sua narrativa.
    Lia Christo
    www.docesletras.com.br

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  3. O problema do tal livro que não foi a narrativa em si, que estava redondinha. O que me incomodou foi o fato da autora ter levantado ganchos que não pode desenvolver, e ter feito uma paixão surgir meio do nada entre os protagonistas. Já li livros onde isso acontecia, mas ela não conseguiu me convencer. O engraçado é que ela trata do tema da imortalidade melhor do que o relacionamento dos dois, mas também não mostrou mais. Mesmo sendo ficção, o escritor tem que ter muita percepção para entender que algo pode parecer estranho ou que convence pouco. Acho que é preciso sempre um revisor profissional nesse caso, que tenha um excelente olhar sobre obras assim.

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  4. "Interpretação artística da realidade", bem profundo! E é engraçado, porque quase todo romance, etc, vem como "ficção" rs

    Beijos,
    Caroline, do Criticando por Aí

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  5. Amei essa explicação....
    Eu adoro ficção Vê..
    Vou até guardar seu texto, pois está muito bem escrito..
    beijos Mila

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  6. Achei o post bem interessante, parabéns! Contudo, acho que entendo o lado da sua amiga. A ficção, apesar do nome, normalmente imita a realidade, então precisamos de uma base com a qual possamos nos relacionar, para que a história tenha sentido no nosso contexto. Em todos os textos, precisamos fazer inferências (ou seja, usar nosso conhecimento prévio de mundo para entender determinadas coisas, como o uso de metonímias marca/produto, por exemplo). O que quero dizer é que, em uma série de fantasia, distopia, etc, nem sempre conseguimos gostar desde o início, pois é um universo novo, algo que não conhecemos e, portanto, pouco conseguimos assimilar a respeito. Porém, conforme você passa a conhecer mais do tal universo, começa a pensar como os habitantes daquela ficção e não só entender como também se envolver com seus conflitos, dilemas, medos e vontades; você entra na realidade deles e enxerga as coisas como eles as veem. Portanto, na minha opinião, é sempre legal que o autor faça ganchos com a realidade. Óbvio que a realidade de cada leitor é diferente, mas pode-se tentar fazer esses ganchos com o conceito que temos das coisas, que, em geral, é um tanto quanto padronizado. Desta forma, é mais fácil para o leitor entender, acreditar e se envolver com o livro desde o início. E, vamos combinar, a opinião do leitor é muito importante, né?
    Bom, ficou um mega texto, mas fiquei com vontade de deixar minha opinião aqui também, rs.
    Beijos,

    Anna - Querida Prateleira
    www.queridaprateleira.com.br

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