O Prisioneiro do Céu

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

El Prisionero del Cielo
Carlos Ruiz Zafón
Editora Suma de Letras

Tradução: Eliana Aguiar
ISBN:9788581050737
Ano:2012
Páginas:249


Sinopse

Em Barcelona, 1957. Daniel Sempere e seu amigo Fermín, os heróis de  A Sombra do Vento, estão de volta à aventura para enfrentar o maior desafio de suas vidas.
Logo quando tudo começava a dar certo para eles, um personagem inquietante visita a livraria de Sempere e ameaça revelar um terrível segredo que permanecia enterrado há duas décadas no fundo da memória da cidade.
Ao descobrir a verdade, Daniel compreenderá que o destino o arrasta na direção de um confronto inevitável com a maior das sombras: aquela que cresce dentro dele.(...)


Resenha por Ver Sobreira

 (...) Reli várias vezes as palavras que David Martín me enviava através do tempo, palavras que me pareceram impregnadas de arrependimentos e de loucura, palavras que não consegui entender plenamente. Segurei a carta entre os dedos por alguns instantes e depois a aproximei da luz de candeeiro e fiquei ollhando enquanto ela queimava. (...)

É excepcional a capacidade criativa de Carlos Ruiz Zafón, que mais uma vez nos presenteia com uma narrativa maravilhosa. Trazendo de volta personagens já conhecidos em um outro tempo e época. Mesmo que não se tenha passado muitos anos de um acontecimento a outro, Barcelona tem uma magia especial que parece fazer-nos viajar de um tempo a outro, e este se tornam próximos. Encontramos com Daniel Sempere – que hora é o narrador e outra o personagem –, seu pai, Bea, sua esposa, mas quem nos conduz aos recantos recondidos de Barcelona é Fermín Romero de Torres, porém as histórias se misturam e se entrelançam. 

Na época em que o regime ditatorial de Franco prende a todos, conhecemos este celébre personagem, Fermín Romero de Torres, e descobrimos que este nem sequer é seu nome. Ele é preso pelo inspetor Fumero, o qual já conhecemos por sua frieza e violência e é levado ao Castelo de Montjuic. Lá, Fermín encontra outro personagem já conhecido de outra narrativa de Zafón – O Jogo do Anjo –, David Martín, autor de "Cidade dos Malditos", ontem famoso e hoje "persona non grata". De tantas histórias, começamos a saber tudo que aconteceu muito antes de Daniel, conhecer o Cemitério dos Livros Esquecidos, a partir daí as narrativas se emaranham e temos que tomar cuidado para não nos confundirmos. Mas a confusão é benigna e interessante, pois Zafón nos conta várias histórias que se transforma em uma única narrativa

O Prisioneiro do Céu, nada mais é que a história de Martín, vista por uma perspectiva diferente de  O Jogo do Anjo. A narrativa, como sempre tratando-se deste autor, é inteligentíssima e atemporal. Zafón nos fornece peças como de um quebra-cabeça.Vemos um Daniel atormentado pelo descobrimento da verdadeira causa mortis de sua mãe Isabella e também pela desconfiança que ronda seu casamento com Bea, pois ele pressupõe, ao encontrar um bilhete, que ela anseia reencontrar seu ex-noivo.

Fragmentos, é disso que é feita esta narrativa de Zafón. Pedaços de histórias se encaixando e se transformando em uma só, interligando-se de forma surpreendente. Daniel,  não é mais um garoto – estamos em 1957 – e de Fermín acabamos por não saber seu nome verdadeiro, porém sua história nos é exposta e revisitada; há também o momento de instauração do sobrenatural, mas como bem sabemos, para o bom conhecedor das narrativas deste catalão, o sobrenatural é desfeito quase que ao mesmo tempo em que é abordado. Não devemos deixar passar nenhum detalhe, pois a história continua.

(...) A estatueta cai sobre o mármore e se quebra. E então ele vê. É um papelzinho dobrado(...) Ele abre... reconhecendo a caligrafia(...)A brisa do mar se ergue entre as lápides e o alento de uma maldição acaricia seu rosto.  Algo turvo e escuro que lhe dá medo.
–Você está bem, Daniel? (...) ele a beija, sabendo que a história, sua história, ainda não terminou (...)

Em suma, o que dizer de um autor que escreve com autoridade e maestria? Um excelente contador de histórias. Criador de enredos fantásticos, Zafón, nos brinda com uma narrativa na medida. Não deixa o ritmo cair  nas 249 páginas de O Prisioneiro do Céu. Personagens fascinantes, divertidos, atormentados que vão de uma Barcelona em fins da década de 1930, quando o regime de Franco está no ápice a Barcelona do final da década de 1950, quando  Espanha ainda não se refez de todos os infortúnios.

Leitura recomendadíssima. Sou suspeita, pois este é meu autor contemporâneo preferido

6 comentários :

  1. Eu adorei A Sombra do Vento e quero muito ler esse livro. Até agora só li elogios sobre ele.
    bjs

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  2. Já ótimas resenhas falando sobre o trabalho desse escritor... Preciso agora é ter dinheiro para comprá-lo... rsrs

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  3. Eu nunca li nada deste autor, mas por sua resenha e elogios a sua escrita, vou ser obrigada a conferir o mais rápido possível. Bjus
    Lia Christo
    www.docesletras.com.br

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  4. Do autor, eu só li A Sombra do Vento e amei... O Jogo do Anjo já está na estante há tempos, mas eu vivo colocando outros na frente... creio que chegou o tempo de ler, pois pelo que entendi ele deve ser lido antes desse, né??

    beijos,

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  5. Adorei a resenha, e como não conheco a escrita, isto é a narrativa do autor eu quero muito ler, e talvez começe por este ^^

    bjs
    http://dailyofbooks.blogspot.com.br/

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