Entrevista - Thayane Gaspar

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Índios, continuando a  apresentação dos autores que estarão em nosso evento. Agora é a vez de Thayane Gaspar. Espero que curtam a entrevista que ela nos deu.

Thayane Gaspar 
Eu sou transitória. Por isso a pergunta mais difícil de ser respondida para mim é “quem é você?” Eu não sei quem sou, sei o que sou. Sou autora e acho que por ser autora que me tornei tão volúvel. Isso porque todo dia eu invento alguém para ser, escrevo pequenas histórias de 24 horas esperando encontrar o final mais feliz de todos os livros.


Eu sou uma pessoa que nasceu antiga; adoro fotos em preto e branco e vestidos na altura dos joelhos com cinto marcando a cintura. Vejo beleza naqueles que tem a cabeça tomada pelo branco e a pele marcada por rugas, manchas, vidas, histórias. Não sei explicar porque. Ninguém sabe explicar porque aquelas vozes roucas, movimentos lentos e débil memória me fascinam.
Gosto também de pássaros; não daqueles que as pessoas têm dentro de gaiolas. Gosto daqueles que vejo voando em bandos no céu. Num céu tão alto que não distingo cor ou espécie. Vejo apenas manchas pretas livres para serem da cor e formato que quiserem. Eles me lembram utopia. Eu adoro uma utopia, eu sou feita de tantas. Mas voltando aos pássaros, eles tem de estar em bandos. Eu estranho a solidão, mas sempre recorro a ela por 2 horinhas do meu dia.
Não gosto de ver pessoas almoçando ou jantando sozinhas em restaurantes ou praças de alimentação. Eu tenho muita vontade de abordá-las e acompanhá-las durante a refeição, e eu nem sei porque!
Eu subo escadas nas pontas dos pés, e as pessoas nem percebem, quando descobrem me falam apenas que subir assim cansa mais. Eu acho que o balé mais sofisticado é aquele que te eleva, te leva para cima; uma metáfora que meus pés veneram, fazem ponta e pliê.
Adoro a cor amarela e não tenho nenhuma peça no guarda-roupa com essa cor. Quando não posso ver o sol ou ele não quer me ver, eu busco um utensílio ou ambiente desta cor. E me engano com um sol falso, o meu substituto para os dias nublados.
Não resisto ao choro, se ele toca a campainha, eu abro os olhos e deixo ele despencar rosto abaixo. Acho bonito o ato. Parece uma purificação, é como um banho, uma higiene da parte de dentro. Não posso ver pessoas chorando que corro para contê-las Mas quando se trata do meu choro, não deixo ninguém atrapalhá-lo.
Tenho fixação por sorrisos, sou uma especialista neles. E uma legista para os sorrisos falsos. Quanto aos meus, eu distribuo de graça para estranhos, para quem não vai me dar nada em troca, para quem vai me sorrir de volta.
Não vivo sem uma trilha sonora de rock. Prefiro músicas em que as pessoas gritam no ápice da canção. Na verdade, eu acho que todo mundo deveria gritar antes de dormir todos os dias ao invés de rezar. Porque eu fico calada quando eu tenho muito o que falar, e digo coisas quando queria dizer outras. Por questão de saúde, eu preciso gritar sozinha no meu quarto uma vez por dia.
Escrevo livros sempre idealizando a primeira e  a última página antes de criar qualquer outro elemento da história, só para ter certeza que vai acabar tudo bem. A vida deveria ser assim, não é? No dia do nascimento deveria ser entregue a nossa última página para vivermos aliviados sabendo que tem uma saída, tem uma luz, que vamos chegar lá a salvos.
Quanto ao amor, eu acredito que só sabemos quem somos quando amamos. Amando, temos uma identidade. Sendo amados, temos um nome. Sendo os dois, existimos.
Eu escrevi a Princesa de Gelo em três meses, mas não fui autora por três meses. Sou autora há 19 anos, pois desde que nasci, escrevo uma história: a minha,



TL: Você é uma jovem escritora, escrevendo para o público jovem.  Quais as  expectativas para o lançamento do seu primeiro livro?
Thayane: A minha maior expectativa é que eu tenha leitores que entendam a mensagem e que admirem o que eu tenho a dizer, porque eu tenho muito a dizer.

TL:  Como você vê atualmente a  Literatura Brasileira Contemporânea com muitos autores sendo lançados?
Thayane: Eu vejo como um progresso. A literatura estava buscando talentos em outros países ao invés de produzi-los, e agora isso está acontecendo autores e obras promissores estão surgindo.

TL: Houve alguma dificuldade para criar algum personagem? Pergunto isso porque achei  Alessa muito complexa e obsessiva.
Thayane: Sim, a Alessa foi a personagem mais difícil de se trabalhar. Isso porque o que ela tem a dizer não é o que muitas pessoas querem ouvir, pois ela diz a verdade crua antes de ser tratada e camuflada pelas aparências. Além das contradições, a Alessa é tão dura por fora que às vezes parecia inverossímil ela ser tão delicada por dentro. Mas o segredo em escrever a Princesa de Gelo, foi não pensar na reação das pessoas ao conhecer a personagem principal, e sim ser fiel a um sentimento bruto e puro que foi polido e lixado ao longo da história.

TL: Quem é Alessa ?
Thayane: Alessa é uma idealização minha. É extremista e confiante, dotada de uma visão tão original do mundo que somos seduzidos pela ótica dela.

TL: Alessa Deluise e Eric Lacrov? rsrs... Nos fale um pouco sobre estes nomes.
Thayane: Eu sempre achei o nome "Alessa" misterioso, e é essa características que a Alessa passa antes de se deixar ser decifrada por Eric; Deluise já passa uma ideia menos densa, como se os nomes fossem as duas faces da personagem, uma de gelo e a outra humana. Ao passo que Eric é um nome doce, já Lacrov é imponente, o que combina muito com a ideia preconcebida de Alessa no começo da história.

TL:  Para terminar. Você acredita que os blogs literários ajudam na divulgação ou não de um livro?
Thayane: Acredito, há muitas estratégias de marketing para divulgar livros e produtos. O problema é o público, apenas uma nata da sociedade possui uma relação íntima com a literatura e a tem como hábito.


Jogo Rápido

Uma cor:  amarelo
Uma flor: margarida
Uma música: Sink or swim, Falling in reverse.
Um livro: Estrelas Tortas, Walcyr Carrasco
Um filme: The hottest state, de Ethan Hawke.
Um sonho: Já está aí, ser autora.
Viagem dos sonhos: Irlanda
Maior desejo: conhecer o autor de livros, Fabrício Carpinejar
Frase: "A vida é afundar ou nadar"

Um comentário :

  1. Amei ser entrevistada pela Tribo do livro. Muito obrigada pela oportunidade e por fazerem parte da divulgação do meu sonho, o meu livro!

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