Branca de Neve e o Caçador – Cinema e Literatura

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Snow White and the Huntsman
Lily Blake, Evan Daugherty, Jonh Lee Hancock, Hossein Amini
Editora Novo Conceito

Tradução: Ronaldo Luís da Silva
ISBN: 0788581630182
Ano: 2012
Páginas: 208








Por Ver Sobreira

Para alguns estudiosos os contos de fadas, descrevem a representação "de modelos para o comportamento humano, por isso mesmo, dão significação e valor à vida " e mais ainda que diferentemente dos mitos, os contos de fadas podem nos transportar para algo otimista, enquanto os mitos  nos leva a revelações pessimistas.     

Independente disso, contos de fadas nunca foram "historinhas para dormir," apesar da predisposição de alguns em achar isso. Certo, é verdade que Perrault, Andersen tentaram de todas as formas minimizar os acontecimentos em suas história;  já os irmãos Grimm, não quiseram ir por este caminho e deram a eles uma certa roupagem de terror. Porém, a pós-modernidade que tem na sua teia a sétima arte, foi muito mais além. Nos últimos tempos, muitas histórias ditas "contos de fadas" vêm sendo subvertida. Utilizando-se de todos os recursos que esta arte pode dispor alguns roteiristas e diretores têm feito excelentes trabalhos. Enquadro ai "Branca de Neve e o Caçador" que independente das atuações de cada ator, foi realmente uma leitura supreendente da história de Branca de Neve. E a partir do roteiro, deu-se o romance publicado aqui pela Novo Conceito.

Branca de Neve, como poucos é um conto que nos ajuda a distiguir com muita nitidez as principais fases da infância, porém nesta releitura toda o processo de infância é praticamente abdicando em favor do  crescimento da heróina. Depois de anos presa, após a morte do pai pelas mãos da madrasta ,–  na noite de núpcias –,desabrocha uma linda jovem, que será responsável por fazer justiça e libertar seu povo do jugo da rainha má.






Há neste contexto vários reflexos dirigindo a personagem: o primeiro após a fuga e se embrenhar pela Floresta Negra, o caçador sai em sua busca, sem saber quem realmente está procurando. Neste momento, Branca de neve é ainda uma menina, um tanto quanto assustada, porém que não tem medo de entrar na floresta escura para se salvar de um destino pior, ou seja, por mais medo que ela tenha, a morte certa pelas mão da madrasta é pior de que tentar fugir ao encontro do desconhecido. Na fuga, ela  é encontra pelo caçador que independente de nada saber, acaba de uma certa forma tomando partido dela.

O segundo reflexo seria em minha opinião, a manifestação do sagrado feminino e masculino, que ocorre quando Branca de Neve encontra o cervo (O gamo-rei - o Deus conífero, protetor dos animais e dos homens, esta uma lenda da mitologia celta). Neste momento, Branca de Neve começa a se dar conta do seu verdadeiro papel, o de mulher e posteriormente de rainha. Ali teoricamente ela recebe uma "benção" para seguir em sua missão, porém também não deixa de ser um despertar, porque a partir deste acontecimento ela é vista com outros olhos pelo Caçador. Metaforicamente podemos dizer que esta manifestação do sagrado masculino e feminino se  completa na figura do Caçador.
Neste momento, Branca de Neve se tornará capaz de qualquer coisa e passará a não temer o que está por vir, ali há um entendimento do papel dela dentro da sociedade e em que ela está implicada.

O  momento inevitável, a mordida da maçã. Depois de tantas subversões, se faz necessário que aqui seja também diferente. A figura da pobre velhinha encurvada que quer vender uma simples maçã, não cabe mais. Branca de Neve já sabe quem é ela, qual seu papel para o desfecho da história e o que deve fazer. Neste ensejo somente uma figura de confiança poderia se aproximar e induzi-la a comer a maçã; já que se arriscar na macieira do palácio era algo comum entre os dois. Então a Rainha Má toma a forma de : Willian, o amigo de infância,  um possível príncipe encantado. E o que advirá?

A princesa jaz, sufocada e inerte. O que pode acontecer a partir dali? O caçador se desespera; William se sente incapaz, e seu beijo não a despertou. Tudo está perdido. A escolhida, a prometida está morta. Este é o momento crucial de uma personagem, a libertação de quem ele é, e este é o Caçador. Sufocado por tantos acontecimentos em sua vida, "a morte" de Branca de Neve, faz com que ele chegue ao seu limite. A vida já havia sido modificada para ele, quando da morte de sua esposa. Aquela que para ele era seu pilar. Quando conhece a princesa e passa por várias situações ao lado dela, começa a ter uma nova expectativa de vida, de viver.

(...) Voltei a pensar em mim mesmo novamente. e nunca me cuidei. Até conhecer você. Você me faz lembrar dela. Seu espírito, seu coração. E agora você também se foi. –Vacilou sobre as palavras, sentindo o nó aumentar no fundo da garganta. – Vocês duas mereciam algo melhor e eu sinto muito por ter falhado com você também. (...)

O despertar de Branca de Neve, não é o príncipe e sim o Caçador. E, é aqui que surge o terceiro reflexo, a heroína, a mulher guerreira e destemida. Claramente inspirada em Joana D'arc, porém sem conotação religioso, pois esta não cabe neste contexto. Mas, sim a guerreira poderosa, decidida que tem um ideal e nada irá tirá-la desse caminho. Incita seu povo à luta, comanda seus guerreiros. E enfrenta a Rainha Má, pois Branca de Neve, conhece seu segredo e sabe como destruí-lá.





Em suma, o conto de fadas foi subvertido, mas ainda assim deixou  alguns elementos, como bosques, fadas, entre outras coisas. Porém, está claro que estes usos foi apenas no intuito de não suspender de todo a origem da história. A princesa em verdade, não preciso exatamente que o homem fosse seu salvador. O que ocorreu foi um esforço conjunto, do masculino e do feminino para se chegar a um propósito e neste caso o feminino foi valorizado.

Referência Bibliográfica:
BETTELHEIM, Bruno. Branca de Neve. In: A psicanálise dos contos de fadas. Editora: Paz e Terra.2010.pág:277-296

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