Entrevista - Uole da Silva

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Índios,
Vocês sabem que em 23 de junho faremos um evento para o lançamento de 5 novos autores de literatura jovens adultos. Este evento será em parceria com a Modo Editora e com a Livraria Nobel Norte Shopping. Pensando nisso, a partir desta semana começaremos a apresentar estes autores e o primeiro é uma grande promessa para a literatura jovens adultos. Uole da Silva, autor de Sua última flor. Um livro bem escrito, interessante e que em breve traremos resenha para vocês.




Uole da Silva, por ele mesmo

Falar um pouco sobre mim? É difícil por que eu me babo muito e sou meu maior fã. Só eu sei o quanto já tive que lutar, perder e tentar de novo para ganhar, desde a minha adolescência. É aquela verdade que qualquer um pode dizer: “Só eu sei o que vi, vivi...”. E o que posso dizer sobre mim... Sou um sonhador. Daquele tipo que acredita que pode tirar um pedaço das nuvens para usar como algodão, que pode colocar insulfilm na lua quando quiser ver um eclipse, que acredita que pode voar e que não há sonho impossível de se realizar. Sou um lutador. Daquele tipo que evita uma luta, mas não foge da guerra e que não se importa com uma derrota, mas não se dá por vencido enquanto alguma parte do corpo reagir. Bom... Melhor eu parar, posso acabar escrevendo um texto enorme, sem querer. Sou tagarela, principalmente com os dedos. :P

TL: Oi, Uole, sabemos que é um clichê perguntar isso, mas os leitores sempre querem saber. Quando você soube que queria ser escritor?
Uole: Sempre me vi como músico e compositor, desde os 13 anos de idade, mas já me vi em outros horizontes também. Começando pelos desejos de infância, que mudam conforme vamos crescendo e conhecendo novos horizontes, já me vi como: piloto da aeronáutica; desenhista da Marvel; chefe em alguma empresa internacional; advogado; psicólogo; designer gráfico; publicitário; e, com certeza, muitas outras que não me recordo agora. Nunca me garanti na língua portuguesa. Inclusive, com certeza foi uma surpresa enorme para minha professora, quando a encontrei no ônibus e disse que tinha escrito um livro. Sempre achei meu português fraco.  O mais engraçado é que quando eu comecei a correr atrás da carreira musical, perguntei a minha mãe o que ela imaginava que eu seria quando ‘crescesse’. Sua resposta foi: escritor. Mas eu imaginava que era por conta de ter sido batizado com o nome de um. Victor Hugo. Desde adolescente sempre tentei manter um blog, mas passava uns meses e o largava de mão. Em 2010 criei um blog chamado “A Casa Na Arvore” (que futuramente transformou-se em “Escrevo Fracassos”), onde escrevia textos para eu mesmo ler no futuro. Mostrando para um e outro, acabei abrindo o blog para o público. Esse, eu consegui manter e levar a sério. Até que um dia tive uma ideia de post e comecei a escrever... Tinha tantas ideias para o post, que acabou se tornando um livro. Eu ficava dez horas por dia escrevendo. Duas semanas depois, nasceu: “Sua Última Flor”. Sem pretensão alguma de mandar para editoras e seguir carreira literária, exportei em PDF, coloquei em um CD e comecei a vender para alguns amigos e fãs da banda que eu tinha na época. Como na sua maravilhosa resenha, obtive resposta positiva das pessoas, dizendo que choraram e querendo me bater por conta de umas partes. :P. Incentivaram-me a correr atrás de uma editora. Resolvi tentar. Assumo que nunca fui um devorador de livros, sempre busquei por temas específicos e demoro um mês ou mais para terminar de ler um, até quando tenho todo tempo do mundo. Por conta disso, só consegui lembrar-me de algumas poucas editoras (que vou optar por não citá-las) e enviei minha obra, com um pé atrás e o outro querendo recuar também. Quase enfartei quando, oito meses depois, recebo a resposta de uma delas, com a seguinte frase: “A obra não tem 1/3 do que geralmente pedimos. Mas muito obrigado pelo o envio”.  Eu li aquilo como: “Seu livro é ruim... Muito ruim... Ruim mesmo. Mas muito obrigado por fazer-nos perder um precioso tempo lendo-o”. Não vou negar que, por mais que eu seja um grande otimista, às vezes sou o maior pessimista de todos. Meses depois me recompus e resolvi fazer o livro de forma independente. Meu amigo Denis Mello desenhou a capa, diagramei e montei no Clube de Autores. Comecei a divulgação. Apareceram diversas editoras com oportunidades boas, mas com condições... Como posso dizer? Digamos que, completamente, fora da minha realidade financeira. Até que um belo dia, eu abro minha caixa de e-mail e me deparo com mais uma editora interessada em analisar o livro. No começo foi difícil acreditar, mas enviei e paguei para ver. E olha agora onde estou e o número de coisas maravilhosas que a Modo Editora tem feito por mim e pela minha humilde primeira obra. Foi aí que a ficha caiu de verdade... Agora eu sei que sou um escritor.

TL:  Como você vê atualmente a Literatura Brasileira Contemporânea com muitos autores sendo lançados?
Uole: Acho maravilhoso. Principalmente por estar surgindo editoras que se reservam a lançar apenas os novos autores. Tem muitos novos “Machados de Assis” e “Williams Shakespeare” brasileiros por aí, que só precisam de uma primeira oportunidade. É um risco? Dependendo do ponto de vista, pode ser. Mas, de repente, no mar que muita gente acha que não vai dar peixe, pode encher uma jangada.

TL: Sua última flor é seu primeiro livro que será lançado? Qual a sua expectativa em relação a isso?
Uole: Sim. Além de ser meu primeiro livro que será lançado, é o meu primeiro filho. E posso adiantar desde já, que é o mais velho de muitos filhos. Minha expectativa com relação a isso? Não sei explicar, mas são várias. Fiquei minutos olhando para a pergunta, pensando em como respondê-la, mas são tantas as expectativas que tenho... 


TL:  Victor e Alice poderiam ser qualquer casal apaixonado, mas não é. Quem são e qual sua inspiração para escrever a história deste lindo casal?
Uole: Estou rindo de nervoso aqui. Muito. Até liguei para a Kamila (minha namorada), para falar sobre e pedir alguns conselhos com relação a algumas perguntas. Como ela disse para eu ser sincero e não me preocupar... Eles são um casal, que quando escrevi, eu gostaria que eu e uma pessoa que amei fossemos um dia e um pouco do que um dia nós fomos.  Inspirei-me em algumas coisas que vivemos e que queria que vivêssemos ou tivesse vivido. O sentimento dos dois era completamente inspirado pelo que eu sentia por ela, até aquela época.

TL:  Sua última flor é uma história de hoje e de ontem, um pouco sobre o amor e a forma de amar. Em quais elementos culturais você se apoiou para escrevê-lo?
Uole: Eu sou um romântico-meloso-dramático-sentimental que acredita fortemente que hoje em dia, ainda é possível escolher a pessoa que vai envelhecer ao seu lado, e realmente começar a reparar os anos sendo estampados no rosto e continuar amando aquela mesma pessoa. Como diz um grande amigo meu: “Minha religião é o amor”. Tudo que a gente faz com amor, fica mais bonito. Fidelidade e amor são para os fortes. Os fracos vivem no modo mais fácil de amar apenas a si próprio, pois nunca verá defeitos a ponto de querer romper a relação consigo mesmo ou não precisar da própria aprovação. E quando tentam, desistem nas primeiras briguinhas bobas ou cedem às tentações que surgem, sem saber que, resistir a elas, é o que fortalece uma relação. Eu acho lindo poder ir à casa dos meus avós e ver os dois sentados um ao lado do outro e ainda fazendo piada de quando se conheceram: do quanto aquele baixinho Paraíba de cabeça chata tentava impressionar a bonita baiana ou o quanto aquela baiana era arretada com o baixinho Paraíba de cabeça chata. Um fato que não posso ver dentro de casa, e que, talvez, meu filho só verá quando trouxer meu neto para visitar eu e sua mãe. 

TL:  Tive a oportunidade genial  de ler em primeira mão seus originais, parabéns pelo trabalho de criação. A história de Victor, Alice, Rockbell,...Música e amor, tais elementos em sua narrativa se completaram. Por que? A que você se refere?

Uole: Muitíssimo obrigado. Acho que por ser a minha vida, ficou fácil. Já tive bandas, abri shows de algumas bandas famosas, já fiz música para garotas que gostei e deixei de gostar, já tive muitas fãs, até em outros estados, já amei e tive desilusões amorosas e etc. Usei toda a experiência que tenho no que já vivi nesses dez anos, para criar Victor, Alice, Rockbell e o que eu adoraria que acontecesse na minha vida, futuramente. Posso usar palavras de quatro grandes ídolos: “Sem a música, a vida seria um erro" – Friedrich Nietzsche; “O homem que não tem a música dentro de si e que não se emociona com um concerto de doces acordes, é capaz de traições, de conjuras e de rapinas” – William Shakespeare; e “Tudo que você precisa é de amor. Amor é tudo que você precisa” – John Lennon e Paul McCartney. 

TL:  Há algum personagem em especial que é inspirado em alguém ?
Uole: Sinceramente, a maioria dos personagens. Alguns com o nome real, e outros, encapuzados em um “nome-disfarce”. Mas já quanto aos outros... Segredo dos poucos que sabem. :P

TL: Alice é uma personagem feminina  que oscila entre a força e a franqueza, gostei muito dela, sofri como leitora e tecnicamente ela é bem construída. Ela foi difícil de ser criada?
Uole: Não foi difícil criar Alice. Nada difícil. É exatamente como ela era quando eu a conheci. E se eu colocasse outro nome, seria Sophia, por conta da música do Tavares em seu projeto solo: Esteban.

TL: Quando o livro terminou a história ficou em minha cabeça, confesso que queria "brigar' com você por aquele final rsrsr..., mas ao mesmo tempo entendi como em "I'll be there for you", Bon Jovi. Nos fale um pouco sobre a opção de usá-lo e esta relação entre música e literatura em seu livro.
Uole: Se o livro tivesse outro nome, seria: “I’ll be ther for you”, ou, até mesmo, Eu estarei lá por você. Eu sou fanático pelo Bon Jovi. Inclusive sofri por não ter conseguido ir ao show que teve aqui no Rio. Tenho a discografia completa e conheço todas. A relação música e literatura no livro são bem como é a minha vida: música e literatura. As músicas que o Victor fez para a Alice e as da banda, realmente existem. Não sei nem se posso dizer isso, mas, pretendo futuramente lançar um CD com essas músicas para vender junto com o livro ou separadamente. No ano passado eu dei um tempo com a música para poder me focar no segundo livro que estava escrevendo, pois iria participar do Prêmio SESC de Literatura com ele. Mas agora estou de volta, correndo atrás do sonho literário e do sonho musical. 

TL:  Para terminar. Você acredita que os blogs literários ajudam na divulgação ou não de um livro?

Uole: Sinceramente, acho que é a ferramenta que mais contribui na divulgação de um livro. Primeiro por que é onde, as pessoas que realmente gostam de ler, passeiam virtualmente. Um público que eu nunca conseguiria atingir sem tê-los no meu Facebook ou conhecê-los pessoalmente ou que descobriram meu blog. Segundo por que os donos dos blogs sempre estão dispostos a ajudar quando realmente gostam do que leram, e são eles que mais tem a curiosidade de conhecer obras de novos autores. Blogs literários são como as rádios. Muita gente que gosta de música, não sabe que tem diversas formas de conhecer artistas novos pela internet, então acabam conhecendo só quando ouve na rádio, daí, sim, decidem se vale a pena ou não comprar o disco daquele artista. Sendo assim, muita gente que gosta de literatura, e não sabe que existem muitos outros livros fora das livrarias que frequentam ou dos sites como Submarino e semelhantes, recebe uma bandeja com um leque de boas novidades literárias. Não sei se dá para entender minha explicação... Às vezes até eu me perco explicando alguma coisa. Mas, acho que deu, não? :)

Jogo Rápido

Uma cor: Vermelha
Uma flor: Cerejeira
Uma música: Aquarela - Toquinho
Um livro: Memnoch - Anne Rice
Um filme: O Poderoso Chefão
Um sonho: Ver uma multidão cantando as minhas músicas
Viagem dos sonhos: Fernando de Noronha
Maior desejo: Ser coroado gênio, como coroei meus ídolos
Frase: "Julgue seu sucesso pelas coisas que você teve que renunciar para conseguir" - Dalai Lama

Muito obrigado pela entrevista e por tudo. Estou com cãibra desde que li a resenha. Tem um sorriso maravilhoso agarrado no meu rosto. Falo muito, não? :P

Atenciosamente,

Uole da Silva
Escritor - Escrevo Fracassos
http://escrevofracassos.wordpress.com / 


Um comentário :

  1. Adorei essa entrevista, e estou anciosa para ler as dos outro autores.. muito legal cederem esse espaço para eles. :)

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