Delírio

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Delirium
Lauren Oliver
Editora Intrínseca

Tradução: Rita Sussekind
ISBN: 9788580571646
Ano:2012
Páginas:336

Sinopse
"NOVENTA E CINCO DIAS, e então estarei segura (...) Fico IMAGINANDO se a intervenção vai doer. Quero acabar logo com isso. É DIFÍCIL ter paciência. É difícil não sentir MEDO sabendo que ainda não fui curada, apesar de até agora eu não ter sido acometida pelo DELIRIA. Mesmo assim me preocupo. Dizem  que antigamente o AMOR  levava as pessoas à loucura (...) É o mais mortal entre todos os males: você pode MORRER de amor ou da falta  dele".
PARA ERRADICAR DEFINITIVAMENTE O amor e garantir o bem-estar da população, todos os cidadãos, ao completar dezoito anos, passam por um tratamento obrigatório fornecido pelo governo. Depois, livres do mal, jamais irão experimentar o gosto amargo do sofrimento – e tampouco os sabores fortes da euforia, do arrebatamento, da paixão.

Resenha por Ver Sobreira

Se o amor fosse uma doença você aceitaria a cura?

O filósofo e economista inglês Jonh Stuart Mill, acunhou em fins do século XIX, o termo distopia para se referir a um tipo de sociedade humana não desejada, em contraposição com a utopia e sua derivação eu-topia, o lugar onde tudo é o que deveria ser. Uma sociedade distópica é o que nos apresenta Lauren Oliver em seu segundo livro, Delírio, que é parte de uma trilogia, Distopyan. A propósito, vale citar que este tema voltou a ser recorrente na literatura nos últimos anos.

Delírio nos conta a história de uma sociedade onde o amor foi considerado uma doença e todas as pessoas passando por um tratamento especial, uma intervenção em seu aniversário de dezoito anos para ser curado da doença. A protagonista do livro, é Lena Halloway, uma adolescente órfã que vive com uma tia, Carol e sua família. Perdeu o pai quando tinha 8 meses de nascida e a mãe suicidou-se quando ela tinha 6 anos. O suicídio da mãe é algo muito marcante em sua vida, pois a fez crer totalmente no sistema, sem jamais questionar. Porém, ao conhecer Alex,  tudo passa a ser diferente.


Sabemos que citar e apresentar, exemplos de sociedades distópicas na literatura não é  novidade, pois em Admirável Mundo Novo, Aldous Huxley já fazia uma referência a isso. A ficção científica sempre pensa nela como nascida de um futuro pós-apocalíptico. Apesar de Oliver não localizar uma data em seu livro, percebe-se que é em algum momento do futuro, pois o livro se inicia 74 anos depois da identificação do amor como doença. E mais uma vez, a exemplo de Jogos Vorazes, temos como "pano-de-fundo, os Estados Unidos da América. O que quero dizer, é que não é a partir de uma sociedade fantástica que os autores têm criado o que chamo de background narrativo. Seriam essas sociedades possíveis de ocorrer? Ou será que simplesmente elas já estão por aí, mascaradas? A verdade que nos últimos tempo a distopia tem sido muito discutida, principalmente na literatura.

Lena, juntamente com sua melhor amiga Hana conta os dias para ser curada, mas Hana de vez em quando questiona os benefícios da intervenção. As duas discutem sempre os ensinamentos e os critérios da Shhh - Suma de hábitos, higiene e harmonia, que relata os estágios e sintomas da doença que o amor causa. Ah! O Amor. Será ele o causador de tantos infortúnios? Shakespeare citou em Romeu e Julieta – O amor é cego nunca acerta o alvo – aliás, Romeu e Julieta é indicado aos estudantes como o conto do alerta. Lena sempre segue à risca as indicações do sistema. Mas, o destino lhe reserva uma surpresa ao conhecer Alex, um rapaz "curado" que irá mostrá-la uma outra visão deste mundo. Temos também referências às pessoas nominadas "Simpatizantes", foram "curados", mas resistem em surdina a essa cura; há os "Inválidos", aqueles que se recusam a aceitar a cura e vivem além da fronteira em um local denominado "Selva".

Na escola, aprendemos que antigamente, nos tempos sombrios, as pessoas não percebiam quão mortal era a doença do amor.(...) É o mais mortal entre todos os males: você pode morrer de amor ou da falta dele.

Ao analisar um livro com este tipo de temática, em torno deste tipo de sociedade, é curioso pensar em que o autor se inspirou e observou para chegar a esta trama, ao enredo. Pois, é importante afirmar que: A literatura nunca será afasta de ser um instrumento de observação da natureza humana. E talvez, isso ocorra pela preocupação com o futuro sombrio da humanidade, tais temas, – como no caso sociedades distópicas – sempre gira em torno de uma série de metáforas e sátiras que fazem do homem uma sombra grotesca do que deveria ser; sujeito a um papel secundário pelo deslocamento de sua própria criação. Em Delírio, o amor é o culpado de tudo, às sensações que ele causa foram motivos de guerras e desordens e a solução do Presidente e do Consórcio foi eliminá-lo, para conter uma suposta histeria que o amor causa. Ninguém ficaria mais à mercê do "Amor deliria nervosa".

Será que podemos dizer que Delírio nos indica um caminho? Lauren Oliver constrói uma narrativa que discute a desumanização do indivíduo e sua perda de identidade dentro de um sistema, em que ele é ao mesmo tempo vítima e verdugo; a perseguição e eliminação de elementos estranhos – neste contexto o amor ou quem ama – fora da ordem existente; o que provoca a criação de leis e códigos para supervisionar e distinguir os membros da comunidade. A segregação, a discriminação é permitida nesta sociedade. Aqueles que são considerados "simpatizantes" das causas do amor quando descobertos são excluídos, escorraçados, eliminados. Mas, será que é só isso? É somente o amor? Ao lermos o livro de Oliver, nas entrelinhas, percebemos ao fundo a discussão das decisões sociais e políticas que correm pelo mundo. Estamos no século XXI, e ainda encontramos países sendo controlados por ditaduras veladas e democracias disfarçadas.

Em Delírio, a adolescente Lena  que cresceu sendo fiel a um sistema, descobre que há muito mais coisas por trás das aparências. Ao perceber este movimento, ela questionará todo o mundo que conhecia até então. E o amor, será o maior responsável por esta transformação. Ela, na pressuposta desordem encontrará uma harmonia que até então conhecia como nociva e perniciosa.

Você precisa entender. Não sou ninguém especial. Sou apenas uma garota. (...) Mas tenho um segredo. Você pode construir paredes até o céu, mas eu encontrarei uma maneira de voar por cima delas. Pode tentar me prender com cem mil braços, mas eu encontrarei um jeito de resistir.(...)
Lena

Aguardemos a continuação, Pandemônio que foi lançando agora em fevereiro nos E.U.A. Também quem sabe em 2013, à adaptação do primeiro livro para o cinema, já que os estúdios Fox comprou os direitos da Trilogia, que termina com Requiem. 


http://www.monografias.com/trabajos902/acercamiento-sociedad-futura/acercamiento-sociedad-futura2.shtml

3 comentários :

  1. Eu quero muito ler esse livro!! Amo a capa!! Quero ver como as pessoas aceitam o fato do amor ser considerado uma doença, deve ser bem interessante.

    Beijo

    Ju
    entrepalcoselivros.blogspot.com.br

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  2. Gostei muito da resenha e a partir daí creio que o livro seja bom. Quero entender melhor a questão das sociedades distópicas.

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  3. Olá, eu já li o livro e confesso que gostei bem mais do livro: Antes que eu vá, da Lauren tb! Delirio para mim fícou bom do meio ao fim, no começo estava achando uma história bem sem pé nem cabeça! Mas tb estou aguardando a continuação...

    Beijuuuuuuuu!!!!!!!
    Boa leitua!!!!!!!!!!

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