Branca de Neve – Espelho, Espelho meu

domingo, 29 de abril de 2012

Índios,
Fomos ao cine ver Espelho, Espelho meu.
Bem, particularmente deixou a desejar. Como história para o público infantil, talvez tenha lá seu valor, pois muitos pequenos se divertiram, mas em relação à adaptação... Uma versão que gastou milhões de dólares, que trouxe Julia Roberts, queridinha de Hollywood e uma das atrizes mais bem pagas do momento, porém ... Em que sentido coloco isso? Nem o humor imprimido no filme foi capaz de dar uma roupagem interessante ao velho clássico dos Irmãos Grimm, já que este teve inúmeras versões literárias. Apesar disso, alguns aspectos psicológicos foram de certa forma preservados em alguns momentos. Aqui destacarei, três aspectos do filme, em relação a história.

A sinopse do filme conta "Era uma vez uma bela princesa chamada Branca de Neve (Lily Collins). Tudo ia bem até sua madrasta, a Rainha Má (Julia Roberts), assumir o controle do Reino Encantado. A Rainha Má precisa casar com o rico Príncipe (Armie Hammer) para salvar seu reino que está indo à falência. Mas o Príncipe está apaixonado por Branca de Neve e, para conquistá-lo, a Rainha expulsa Branca de Neve para a floresta, onde ela terá a ajuda de divertidos anões para lutar e reconquistar seu trono, além de recuperar o amor de sua vida."1 Bruno Bettelheim afirmar que (...) Poucos contos de fadas ajudam o ouvinte a distinguir tão nitidamente entre as principais fases da infância quanto "Branca de Neve" o faz(...)

Mediante esta afirmação, vamos entender, ou melhor, observar com um olhar um pouquinho mais aguçado o que o diretor indiano Tarsem Singh quis retratar em sua versão. Pessoas, notem, não sou crítica de cinema, apenas uma leitora e obviamente cinéfila um pouco mais crítica rsrsrs... Vamos lá.


Hoje em dia muitas pessoas sabem que os Irmãos Grimm não escreviam "estorinhas para dormir", e sim, histórias impregnadas de terror e suspense psicológico. Tal fato, está presente em Branca de Neve e os sete anões, "conto de fadas", cheios de simbolismos e lições, porque quase sempre esta é a principal função deste tipo de história, a moral, ao que veio, uma metáfora do comportamento humano; em Branca de Neve, não há fuga deste modelo. Pensando em um aspecto deste comportamento acima citado  – a vaidade, ela é um dos principais "ganchos" deste conto (...) O narcisismo da madrasta é demonstrado pela busca de confirmação de sua beleza junto ao espelho mágico muito antes de que a beleza de Branca de Neve eclipse a sua(...), ai Tarsem Singh colocou Julia Robets, como madrasta, que vamos combinar não é, e nunca foi "uma linda mulher" rsrsr... elegante sim, mas linda?

Deste modo, Singh destruiu o estereótipo de beleza da madrasta. Vejam, não é uma afirmação, apenas uma observação. Uma madrasta cheia de dividas, mas igualmente usurpadora, sem escrúpulos, a beleza para ela é uma espécie de culto;  não te nenhum pudor em dizer a Branca de Neve o que pensa, o que foge da estrutura do conto pelo menos no primeiro momento, já que a madrasta aparentemente tratava-a no início com certa "doçura". (...) O conto de fadas não vê objetivamente o mundo e o que ocorre nele,(...), como afirma Bettelheim, sob a perspectiva desta premissa, talvez o diretor indiano tenha querido ver os fatos sob a visão da madrasta, mais do que dá própria Branca de Neve; que neste caso é a heroína, abandonada na floresta para morrer por ser bela, tola, sem valor como pessoa. Mas, antes de ser expulsa, ela toma consciência da real situação de seus súditos, que estão passando fome, enquanto ela era "protegida" dentro do palácio. Um aspecto interessante que desconstruiu o conto em relação ao filme, pois o filme vai por este caminho, já o conto dos Grimm, não passa por este prisma. E ai  Branca Neve faz um questionamento acerca disso, observa, pensa e chega a uma conclusão sobre todas as atitudes da madrasta, seu egoísmo e sua vaidade.

O príncipe encantado, bom no quesito beleza, – pois como mencionei a vaidade permeia este conto –, ficamos em Espelho, Espelho meu com Armie Hammer, encarnando um príncipe charmoso, deveras, mas com um comportamento bobo e sem graça, corajoso em certos momentos, sim. Qual o perfil traçado por Tarsen Singh?


Talvez, o diretor quisesse fazer de Branca de Neve uma mocinha totalmente independente e capaz de sobreviver, ou de pelo menos tentar, sem especificamente necessitar do apoio firme de uma figura masculina, neste sentido da história em si.  Aliás, a substituição  de uma outra figura masculina, o caçador, pelo subalterno hilariante da madrasta na pele do ator Nathan Lane para matar Branca de Neve, foi uma das poucas coisas realmente engraçadas desta adaptação; porque detalhe, o que o diretor indiano fez, foi uma versão humorística, de humor negro em verdade.

Por fim os sete anões, para dizer a verdade acho que essa parte ficou totalmente confusa, porque não vemos nem a versão "original' e muito menos a outras que existem por ai. Se existiu um simbolismo, ele meio que se perdeu.
A função deles na história do filme, não sei, creio que foi aquele caso dos verdadeiros amigos, sacrifícios por quem você mal conhece, anões também sãos pessoas de bom coração, "tamanho não é documento"  não sei, ficou confuso. Porque no conto a função primordial é o crescimento pessoal e moral através do trabalho, o trabalho dignifica e torna você uma pessoa melhor, além de outras de cunho mais psicológico; a questão de manter a rotina está muito presente, os anões vivem nas minas, só vivem para o trabalho. Branca de Neve, abala um pouco a estrutura familiar dos anões e modifica alguns hábitos. No filme de Singh, os anões não trabalham nas minas, são 'bandoleiros" que sobem em pernas-de-pau e assaltam os desavisados na floresta, este é o "trabalho" deles. Quando encontram Branca de Neve em sua casa, no primeiro momento não querem nem saber de  sua desdita, mas ao final eles serão o exército do  príncipe. Há uma desconstrução da personalidades dos anões, é latente entre o filme e o conto, mas a questão da rotina e de ter regras para tudo continua lá.

Há outras curiosidades, como a transformação do pai de Branca de Neve em uma fera da floresta, dominado pela magia negra da madrasta. Em minha opinião, não foi nem uma adaptação infantil, nem adulta; houve sim uma oscilação e profusão de ideias mal aproveitadas. Sim, a essência do conto estava lá, mas não a moral da história. Em suma, uma adaptação infrutífera, custosa e chata ao meu ver. Não vou falar da Branca de Neve de Lily Collins, porque foi simplesmente sem muito charme e novidades. A, e o final do filme em estilo de musical indiano, nem se fala. Bom é isso pessoal.

Aguardemos agora, Branca de Neve e o Caçador. Vamos ver como Kristen Stewart sai da Saga Crepúsculo – é, sei que ela fez outros filmes neste ínterim, mas este está muito mais comentado do que os outros – para esta adaptação que promete ser mais sombria.


Referências Bibliográficas:
BETTELHEIM, Bruno. Branca de Neve. In: A psicanálise dos contos de fadas. SP: Editora Paz e Terra.2010
1.http://www.cineclick.com.br/filmes/ficha/nomefilme/espelho-espelho-meu/id/17914

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