Um Mundo Brilhante

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

This Glittering World
T. Greenwood

Tradução: Ivar Panazzolo Júnior
ISBN: 978-85-63219-41-1
Páginas: 336
Ano: 2012

Sinopse
Quando o professor Ben Bailey sai de casa para pegar o jornal e apreciar a primeira neve do ano, ele encontra um jovem caído e testemunha os últimos instantes de sua vida. Ao conhecer a irmã do rapaz, Ben se convence de que ele foi vítima de um crime de ódio e se propõe a ajudá-la a provar que se tratou de um assassinato.

Sem perceber, Ben inicia uma jornada que o leva a descobrir quem realmente é, e o que deseja da vida. Seu futuro, cuidadosamente traçado, torna-se incerto, pois ele passa a questionar tudo à sua volta, desde o emprego como professor de História, até o relacionamento com sua noiva. Quando a conheceu, Ben tinha ficado impressionado com seu otimismo e sua autoconfiança. Com o tempo, porém, ela apenas reforçava nele a sensação de solidão que o fazia relembrar sua infância problemática.

Resenha por Thales Ferreira


O que fazer quando o mundo em que você vive não é o lugar a que você pertence?

Já havia lido outra obra da autora T. Greenwood, um livro de mesma excelência, em inglês Nearer than the Sky. Havia gostado muito do estilo de escrita da autora, suspense, romance,mistério, assassinato; o tipo de livro que prende o leitor da primeira até a última página e não esquece de valorizar os sentimentos humanos. Eu descreveria T. Greenwood como uma autora intensa e uma das melhores da literatura contemporânea.

O livro Um Mundo Brilhante tem como protagonista o professor doutor de história Ben Bailey, leciona na Universidade do Arizona. Como é apenas professor adjunto, Ben precisa complementar sua renda sendo barman durante as noites. Ele leva uma vida pacata, sem grandes mudanças e emoções, ao lado de sua noiva Sara. Até que um dia, ao sair de sua casa para buscar o jornal, ele se depara com um indígena morto bem em frente a porta de sua casa. Neste momento vários sentimentos fluem - Quem seria este garoto? De que maneira ele havia morrido? Ele morreu só, após uma nevasca? Seria um caso de preconceito contra indígenas? - Ben não se sente confortável com a situação e resolve investigar a origem do assassinato, partindo da lembrança que o reconhecia como frequentador do bar em que trabalha. O livro se desenvolve realmente a partir do primeiro capítulo, não é o tipo de livro que temos que ler várias páginas para que algo aconteça. Isso é muito positivo, pois o a trama já é lançada de imediato e o leitor já tem algo a se prender.

Ben é um personagem covarde e mesquinho. É o típico homem que não sabe o que fazer da vida, que tipo de decisões tomar , tem um grande medo de arriscar e teme a verdade. O personagem certamente é bem marcado pela autora, o leitor sofrerá junto de Ben e também sentirá sua frustração e sua falta de iniciativa. Tenho certeza que Ben não é diferente de muitas pessoas que vemos, que preferem anular seus sonhos e desejos pelo conforto da estabilidade adquirida. Desta maneira que ele passava seus dias ao lado de Sara e mantém uma dúvida constante em sua mente. Ele não é um personagem desmotivante, ele sim é desmotivado. Durante a leitura é um desafio entender o que passa em sua cabeça e por quais motivos ele não toma atitudes que deveriam ser tomadas. Este é um dos principais motivos para continuar a leitura até o final, o anceio por decisões cruciais.

- Tenho certeza de que Sara já fez você pagar caro o bastante por isso - disse ele rindo.
Ben não sabia se deveria rir ou não, e assim ele simplesmente sorriu e fez que sim com a cabeça. (p.125)

Sara é uma personagem extremamente irritante e mandona. Tenho certeza que Greenwood planejou muito bem mostrar a intensidade da personagem e causar este tipo de reação no leitor. A escrita é muito leve e a narrativa fluida, mas os personagens são verdadeiramente o foco do livro. Sara é uma mulher determinada a seguir a linha traçada que atribuiu para a sua vida, ela pensa primeiro nela e depois nos outros, é manipuladora, egoísta e, principalmente, infeliz. A felicidade não se baseia somente em relações amorosas, mas principalmente sobre aquilo que desejamos para nós mesmos. Neste sentido a autora constrói uma personagem incrivelmente autossuficiente de desejos e planos, nada pode fugir ao seu comando. Interessante é notar como tudo isso pode ser destruído tão facilmente, as certezas se tornam as piores incertezas na vida de Sara. Cabe ao leitor decidir qual personagem será o mais correto ou o menos errado.

Sara fazia listas. Era assim que ela organizava sua vida, e agora era a maneira pela qual ela se comunicava com Ben. Com listas de tarefas a cumprir: diretrizes hierarquizadas e sequências numeradas. (p.179)

Em sua busca frenética para buscar respostas sobre o assassinato, Ben acaba conhecendo Shadi - a irmã mais velha de Ricky (o menino que havia sido assassindo) - e ambos começam a investigar o crime juntos. Durante esta trajetória, os dois acabam se aproximando, principalmente por partilharem uma dor semalhante, ambos haviam perdido seus irmãos. A dor é retratada fortemente por T. Greenwood. Ela mostra que nesses momentos é quando ficamos mais vulneráveis, mais fracos, mais carentes, seja de afeto, de medo, de receio, de ilusão, de carinho, de esperança, etc.. Tudo pode acontecer e não cabe a nós achar um culpado por nosso estado de espírito.

O livro certamente não é indicado para leitores ocasionais, os personagens possuem uma complexidade muito aflorada para leitores que preferem personagens claros e diretos. A autora cria um salto na vida do protagonista Ben - a tragédia. Esse tipo de relação que ele não possui com Sara e quem ler o livro certamente notará. Sara e Shadi são personagens completamente opostas, porém Shadi compartilha o sentimento de sofreguidão e por este motivo acaba os aproximando mais. Não é falta de amor, é falta de estímulo e resposta. O romance em Um Mundo Brilhante ultrapassa o quesito "afinidade" e ganha um significado de "necessidade", o que é necessário em um determinado momento pode mudar drasticamente em um outro instante, mesmo havendo afinidade, cumplicidade e afeto. Greenwood talvez afirme por entrelinhas, que ir buscar o jornal na frente de sua casa, em um dia de inverno, pode mudar totalmente o rumo de sua vida. Decisões, querendo ou não, precisam ser tomadas.


4 comentários :

  1. Pela resenha o livro me parece bem interessante, mas como leio tudo ... Espero que eu ganhei este.

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  2. Adorei a resenha e fiquei curiosa com esse misterioso assassinato de Ricky.

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  3. O livro me parece interessante, gostaria de ganhar já que a resenha fala pouco da história. Deve ser bom.

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  4. Não li o livro, mas gostei da resenha!

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