Entrevista - Giulia Moon

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Índios,

Hoje temos o enorme prazer de publicar uma entrevista que a Tribo do Livro realizou com a fantástica escritora Giulia Moon.

Aproveitando o mês que estamos divulgando a Literatura Paranormal, Giulia Moon é referência nacional deste gênero. Em breve publicaremos as resenhas de algumas de suas obras: Kaori - Perfume de Vampira e Kaori 2 - Coração de Vampira.

Biografia:
Ora, vejam só! Interessado em saber quem, afinal, é Giulia Moon? Não sou muito boa em escrever sobre mim mesma, mas vamos lá.
Como já deve ter deduzido, este não é o meu nome verdadeiro. Mas sempre gostei do som de "Giulia" e adoro a lua, em todas as suas fases. Os dois "O"s da palavra "moon" sempre me remetem a dois olhos abertos num eterno espanto, uma piração visual entre tantas outras. Assim nasceu esse nick com o qual assino meus contos e participo de listas de discussão. Um nome que já se transformou numa identidade tão verdadeira quanto a outra.
Profissão: publicitária. Originalmente fui diretora de arte e ilustradora. Depois passei a diretora de criação. Num arroubo de saco-cheio pedi demissão e hoje sou sócia de uma agência de promoção e design, onde faço de tudo menos ficar rica. Que pena!
Meu hábitat: a São Paulo urbana e neurótica. Ou qualquer lugar no mundo onde possa tomar um avião e voltar pra Sampa quando bem entender. Adoro viajar, mas adoro ainda mais voltar pra casa. No place like home.
Literatura: o maior tesão de minha vida. Ei, não me entenda mal, refiro-me a tesão intelectual. Não gosto de histórias adocicadas ou cheias de moral, e não curto egotrips ou literatura experimental. Talvez seja por causa de algum problema neuronal. Ou não. Gosto de ler o que me diverte, o que me faz pensar, o que me surpreende. Básico. Mas sob essa aparente simplicidade cabe todo um universo de livros e autores e séculos de literatura. Material interminável e fascinante. E é isso que gosto de escrever. Terror, principalmente, e também fantasia. Pra quem acha que entretenimento não é digno do métier literário, já vou avisando: divertir o leitor é o meu objetivo. Se isso não é literatura, ok. Não me levem a sério, please. Se me acompanhou até aqui, uma sugestão: leia agora meus contos. Espero que se divirta tanto quanto me diverti ao escrevê-los.

Entrevista de Giulia Moon para a Tribo do Livro:

TL: Quando e por qual motivação você decidiu ser escritora? Foi uma tarefa fácil? Quais foram os principais desafios?
Guilia Moon: Decidi ser escritora depois de um período em que escrevi contos de vampiros para um grupo de discussão do Yahoo, chamado Tinta Rubra. A princípio, escrevia-os como uma distração, mas após um ano, escrevendo e mandando meus contos para lá, aperfeiçoei muito a minha técnica e, por outro lado, adquiri a certeza de que os meus contos tinham uma ótima aceitação. Então investi no meu primeiro livro, “Luar de Vampiros”, uma coletânea com dez contos de vampiros que publiquei às minhas custas. Logo em seguida recebi o convite da editora Landy para publicação do meu segundo livro, uma nova coletânea chamada “Vampiros no Espelho & Outros Seres Obscuros”, com trinta e três contos fantásticos. Foi assim que iniciei a minha carreira, de forma natural, com continuidade. E estou na luta até hoje.
A tarefa com certeza não foi fácil, pois exige muita dedicação e empenho. E o desafio principal foi decidir-me a investir nesse meu lado profissional, coisa que só fiz quando tive certeza de que eu seria tão boa nesse aspecto quanto na minha profissão da época, a publicidade.

TL: De onde surgiu a ideia para escrever Kaori: Perfume de Vampira?
Giulia Moon: Kaori é uma personagem que já estava na minha cabeça há muito tempo, surgindo de vez em quando em alguns contos isolados. Mas só veio à tona como um romance após a publicação da coletânea “Amor Vampiro”, da Giz Editorial, com vários autores. O meu conto na coletânea chama-se “Dragões Tatuados” e, nele, narro o primeiro encontro de Kaori com o vampwatcher Samuel. Após o sucesso do conto, recebi o convite da editora para a publicação de um romance e resolvi escrever a história de Kaori, o seu passado, como se tornou vampira. E, ao mesmo tempo, quis narrar também uma nova aventura, com Kaori no Brasil, reencontrando Samuel. E assim nasceu “Kaori: Perfume de Vampira”, o primeiro livro da série, que conta essas duas histórias em capítulos alternados, o passado explicando o presente, as duas dimensões se interligando e se unindo ao final.

TL: E quanto ao livro Kaori 2: Coração de Vampira?
Giulia Moon: Quanto ao segundo livro, “Kaori 2: Coração de Vampira”, foi uma decorrência natural do primeiro, com uma nova aventura de Kaori e seus amigos. Vale ressaltar aqui que os dois livros podem ser lidos em separado, pois são histórias completas. Se você quiser ler primeiro o “Kaori 2”, poderá compreender a história sem nenhum problema. Mas, com certeza, vai querer ler o outro livro depois, para se divertir com mais aventuras da vampirinha nipônica Kaori! [;)]

TL: Quais foram os mitos, autores, ou personalidades do Japão que mais te influenciaram na hora de escrever Kaori? Você pode falar um pouco sobre a literatura japonesa? O que mais te fascina na cultura oriental?
Giulia Moon: Não tenho grandes conhecimentos sobre literatura japonesa. Já li Mishima, Natsume Soseki, Haruki Murakami, Shusaku Endo, mas, em comparação com as minhas leituras de livros ocidentais, o número de títulos lidos é quase insignificante. Em literatura, as minhas maiores influências são ocidentais: Neil Gaiman, Tolkien, Stephen King e, claro, Anne Rice. Mas vejo muitos animes, leio mangás e assisto filmes e seriados japoneses. Gosto muito de criaturas sobrenaturais do folclore japonês, como poderão verificar lendo os livros de Kaori, pois eles são parte importante da trama. Adoro músicas japonesas de j-rock e Visual Kei, principalmente do roqueiro japonês GACKT, cujas canções aparecem nos dois livros de Kaori. Acho que o que mais gosto, especificamente na cultura japonesa – não oriental, pois conheço pouco sobre as manifestações culturais dos outros países da região – é a sua riqueza, a sua diversidade, a união de aspectos milenares com o que existe de mais moderno.

TL: O tema do vampirismo está muito em voga atualmente. Giulia Moon, qual é o motivo de tal manifestação? De que forma os vampiros impulsionam tamanho desejo? É um desejo somente físico ou ultrapassa a carne?
Giulia Moon: Os mitos de tomadores de sangue estão presentes em quase todas as culturas. E, de tempos em tempos, os vampiros sempre voltam a ocupar um lugar de destaque nos veículos de entretenimento. Acredito que o personagem exerce um fascínio indiscutível no imaginário popular pelas suas características especiais: um predador que seduz as vítimas antes de matá-las, e possui longevidade, juventude eterna, poderes físicos sobrenaturais. Mas o vampiro nos atrai, principalmente, pela sua versatilidade. O vampiro, que nasceu como um mito tosco de aldeia, já viveu várias vidas: de monstro, de vilão, de amante trágico, de príncipe encantado – e até de uma sanguessuga nipônica como Kaori, não é? A cada época, surge um vampiro ideal, que responde aos anseios do público daquele momento e converte-se em sucesso. Talvez seja essa, a resposta. Ou não. A verdade é que paixões não se explicam, devem ser apenas vividas. Por isso, a minha mensagem para os apaixonados por vampiros é: curtam as histórias sem culpa. Os vampiros não são frutos de modismos. Eles são eternos.

TL: O perfume que Kaori exala é somente de sedução? Que poderes e sensações um perfume pode despertar?
Giulia Moon: O perfume de Kaori simboliza tudo que é impalpável, inexplicável, que emana das pessoas sedutoras. Ele preenche o ar e faz com que todos ao redor percebam a sua presença e se sintam atraídos por ela. Há pessoas que trazem esse perfume, esse clima de erotismo e desejo à sua volta. O perfume de Kaori é isso. Sedução, paixão, um pouco de crueldade e muito perigo...

TL: Poderia dar algumas dicas para as pessoas que sonham em ser grandes escritores?
Giulia Moon: Leiam. Leiam muito. Leiam de tudo, não fiquem limitados a apenas um gênero. Antes de ser um bom escritor, sejam excelentes leitores. Assim, poderão olhar para a própria escrita com maturidade e imparcialidade. A coisa mais perigosa para um escritor, seja ele experiente ou novato, é tropeçar no próprio ego.

Jogo Rápido:

Uma cor: vermelho.
Uma flor: rosa.
Uma música: Fragrance, de GACKT.
Um livro: O Vampiro Lestat, de Anne Rice.
Um filme: um só é difícil, hein? Fico com a série do Senhor dos Anéis.
Viagem dos sonhos: conhecer Kioto, terra dos meus ancestrais.
Maior desejo: viver de forma digna, fazendo o que eu gosto.
Frase: divirta-se!




Desenho da vampira nipônica Kaori feito por Giulia Moon

3 comentários :

  1. Amei sua entrevista, Giulia! Parabéns pela sua honestidade e bom humor...

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  2. Obrigada! Foi um prazer conversar com a turma da Tribo do Livro. E vam'bora ler autores brasileiros? Tem muita gente boa escrevendo em todos os gêneros, só falta vocês conhecerem! ;)
    Beigiunhos gelados de vampira pra todos!

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  3. Gostei da etrevista também! Legal saber um pouco mais sobre o universo da Kaori. Terminei de ler o Perfume de Vampira ontem \o/ Adorei! Estou esperando o próximo mês (e mais dinheirinho na conta) pra poder comprar a continuação =]
    ps: lindo o desenho da Kaori

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