A Condessa Sangrenta

domingo, 12 de fevereiro de 2012

La Condesa Sangrienta
Alejandra Pizarnik
Editora Tordesilhas

ISBN: 9788564406001
Páginas: 59
Lançamento: 1971 (obra original) / 2011 (obra no Brasil)
Tradução: Maria Paula Gurgel Ribeiro
Ilustrações: Santiago Caruso
Posfácio: João Silvério Trevisan


Sinopse:
Em 1611 a condessa húngara Erzsébet Báthory foi condenada pelo assassinato de seiscentas e cinquenta jovens mulheres. Marcada pela perversão e pela demência, a Dama de Csejthe passou para a história como um símbolo do mal absoluto. Em seus crimes se vislumbram os limites extremos do horror.
Com A Condessa sangrenta, Alejandra Pizarnik alcançou um dos ápices de sua literatura, elaborando um retrato perturbador do sadismo e da loucura.
Santiago Caruso soube recriar, com suas magníficas ilustrações, não só os detalhes da história, mas também os atrozes sentimentos que a governam.



Resenha por Lean Lioncourt:


O poder poético é seu, você sabe, sabemos todos que lemos você; e já não vivemos os tempos em que esse poder era o antagonista frente à vida, e esta o verdugo do poeta. Julio Cortázar, em carta à autora, em setembro de 1971

Não há o que questionar em sã consciência da qualidade da obra. É realmente esplendorosa a forma com que se aborda a biografia de Lady Erzsebet Barthory - a conhecida Condessa Sangrenta - , vampiresa e sádica, responsável pela morte de 650 moças na Hungria antiga. Claro, tudo não passa de especulação uma vez que sua vivência - e excentricidade - eram alvo de suspeitas políticas e religiosas na época. Filha única responsável por um reino e doente por conta das ligações consangüíneas de sua ascendência, Erzsebet mesclou sua frágil debilidade mental genética à repercussão do que havia de mais trágico à época. 


O que Pizarnik criou aqui e Caruso rendeu-lhe as melhores ilustrações possíveis, é um breve relato sobre esta Condessa, em que história real funde-se em história avessa.

Em minhas pesquisas encontrei cerca de seis histórias diferentes para a vida de Erzsebet mas com a propriedade médica que possuo (e baseando-me em pouquíssimos relatos sobre sua genealogia) o que acredita-se é que ela possuía uma patologia conhecida como Porfíria (ou talvez Esclerodermia sistêmica), desconhecida pelos termos na época, mas algo que tem a ver com a criação do mito vampírico. Pela consangüinidade, Erzsebet teria adquirido esta doença auto-imune (assim como Vlad Tsepesh) e tratada da forma mais grotesca e xamanística possível: com sangue. Isto explicaria sua confusão mental esporádica, sua aparente juventude eterna (no caso da Esclerodermia), seus acessos de enxaqueca e fragilidade orgânica.

No mito, ela é considerada uma vampiresa brutal, violenta e sádica, assassina e homossexual. Torturava moças por prazer e por seus ritos de magia negra e sempre envolvida com atividades escusas. O que gerou sua prisão perpétua e posterior morte no próprio castelo (cerca de três anos após a condenação).

É um retrato perturbador e desumano, o que se vê exacerbado nas ilustrações tão viscerais de Caruso. Chega a ser excruciante acompanhar cada página. Recomendadíssimo a quem gosta do assunto mas não pode ser apenas por este meio. Caso queiram conhecer a mulher atrás do mito, busquem informações. Não se atrelem somente à literatura quando o assunto é personalidades não-ficcionais. Eu particularmente, considero esta pequena (em tamanho, enorme em proporções) obra de Pizarnik uma das mais espetaculares dos últimos tempos, superior a classicos criados do século XVII para cá. 


2 comentários :

  1. Eu li o livro, ele é fantástico. Além de trazer uma literatura de qualidade, é composto de ilustrações que retratam quase fielmente o mundo grotesco daquele mito, nos causando um misto de medo e de fascínio.

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