O Estranho Caso do Cachorro Morto

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

The Curious Incident of the Dog in the Night-Time
Mark Haddon
Editora Record


Tradução: Luiz Aguiar e Marisa Sobral
ISBN: 8501066257 
Páginas: 288 
Ano de Lançamento: 2004 


Sinopse
Criado entre professores especializados e pais que definitivamente não sabem lidar com suas necessidades especiais, Christopher Boone tem 15 anos e sofre do mal de Asperger's, uma forma de autismo. Adora listas, padrões e verdades absolutas. Odeia amarelo e marrom e, acima de tudo, odeia ser tocado por alguém. Christopher nunca foi muito além de seu próprio mundo, não consegue mentir nem entende metáforas ou piadas. É também incapaz de interpretar a mais simples expressão facial de qualquer pessoa. Um dia, Christopher encontra o cachorro da vizinha morto no jardim, é acusado do assassinato e preso. Depois de uma noite na cadeia, decide descobrir quem matou Wellington, o cachorro, e escreve um livro, relatando suas investigações.

Resenha por Thales Ferreira
Este é um livro que me pegou de surpresa há alguns anos atrás. Achei o título do livro muito interessante, li a sinopse e fiquei muito curioso em ler a história completa. O Estranho Caso do Cachorro Morto, livro de estreia do autor britânico Mark Haddon, é um mergulho na realidade particular do protagonista Christopher Boone. Um menino de 15 anos que sofre da síndrome de Asperger; uma forma de autismo. Um livro apaixonante e que eu gostaria que todos tivessem a oportunidade de lê-lo. 

O leitor é convidado a desvendar um crime. O livro é classificado pelo próprio Christopher como sendo um romance policial. Um dia enquanto andava por sua rua, o menino encontra o cachorro Wellington - cachorro de sua vizinha - morto no gramado com um forcado de jardim enfiado em seu pescoço. Christopher resolve escrever um livro com a investigação que ele fará a respeito deste assassinato, com a ajuda de sua professora na escola. O Estranho Caso do Cachorro Morto é o resultado final desta investigação e do mistério envolvido na trama.

Entender o que se passa na cabeça de um autista não é fácil, porém Haddon constrói uma narrativa criativa, clara e que ajuda o leitor a acabar com certos preconceitos. Um autista não é um maluco, retardado, ou qualquer outro nome pejorativo; Christopher é um menino como qualquer outro, com seus medos, desafios, seus próprios problemas e limites pessoais. Ele tem sentimentos vastos e profundos, ama os animais, sonha e estuda. O maior desejo de Christopher é se tornar um astronauta, mesmo sabendo que as probabilidades são mínimas, ele não deixa de sonhar.

- Christopher, você entende que eu amo você? 
- Sim, eu entendo. 
Porque amar é ajudá-lo quando ele está com problemas, tomar conta dele, falar sempre a verdade, e o Pai toma conta de mim quando eu estou com problemas, como quando ele foi atrás de mim no distrito policial, cozinha pra mim e sempre me diz a verdade, e isso quer dizer que ele me ama.
Um autista não é burro; ele vai para a escola, faz seus deveres de casa, escreve e se diverte. As únicas coisas que Christopher não entende muito bem são as expressões faciais das pessoas (não consegue compreender o que as pessoas sentem através de expressões faciais), piadas (ele sempre tem uma explicação lógica para tudo, o que faz as piadas perderem a graça), metáforas e linguagem figurada (não consegue entender uma palavra assumindo um outro significado diferente do habitual, ele entende tudo no sentido literal).

O menino é muito bom em matemática e se orgulha muito em ser o melhor (ele até faz uma prova de matemática e física avançada). O mais interessante do personagem é que o leitor se envolve profundamente com ele. O garoto possui uma série de hábitos inusitados, mas que se tornam intensamente interessantes; é uma mistura entre ingenuidade e esperteza, carinho e afastamento, alegria e tristeza. Ele vive particularmente cada sentimento e gosta de ter seu espaço reservado, não gosta de barulho e não gosta que toquem nele. Muitos momentos em nossas vidas também passamos pelo mesmo, momentos que apenas queremos estar a sós, envolto em nossos próprios pensamentos e incertezas, criando nosso "mundinho" particular e intocável. Apenas neste espaço nos sentimos seguros, como se não existisse mais nada no mundo - nenhum medo, receio e frustração - e encontramos um ambiente de paz interior. 

Os capítulos do livro são numerados com números primos (devido ao seu fascínio pela matemática), encontraremos gráficos e cálculos ao longo do livro, o que gera no leitor uma certa curiosidade, pois a presença da matemática está sempre acompanhada de alguma história contada por Christopher. Percebemos claramente que o autor elaborou uma obra de conteúdo amplo, de trabalho e muita pesquisa. 

O livro conta com um drama familiar intenso. Durante a investigação sobre a morte do cachorro, Christopher acaba descobrindo muito mais além de informações sobre o crime. Ele se aproximará de pessoas estranhas (ele nunca se comunicava com estranhos), viajará sozinho (enfrentando todos os seus medos de uma vez só) e descobrirá muita coisa sobre seu passado e a vida de seus pais. O garoto sempre fora criado por seu pai e sua mãe era tido como morta, porém muitas coisas irão mudar. 

O leitor se sentirá encorajado a enfrentar os seus próprios desafios e a cada parágrafo lido será um momento de aprendizado e reflexão. Mark Haddon consegue criar uma história única, marcante e inspiradora. Temos a oportunidade de enxergar o mundo de um ângulo diferente e nos emocionamos com ele. Leitura obrigatória! 



Um comentário :

  1. UAU, ótima resenha! Agora eu quero ler!!!!!!!! Amo me prender a livros!!!!!!

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