Literatura e Animação Japonesa (PARTE 1)

sábado, 19 de novembro de 2011

Com a animação Japonesa, os ocidentais ganharam a oportunidade de conhecer a literatura, as histórias e tradições orientais com a ajuda do fantástico mundo da animação. 

A partir da teoria do Fantástico de Todorov, surgem os gêneros que tentam se ocupar dos fenômenos sobrenaturais e fora do comum. O "maravilhoso" usa alegorias para provar uma tese. No "fantástico clássico" o leitor não pode afirmar se o fato aconteceu ou não, o mistério paira no ar; porém no "fantástico moderno" o sobrenatural é naturalizado, não é colocado em dúvida e também não é uma alegoria, é o sobrenatural em si. No "estranho" o fato sobrenatural não aconteceu.

Na literatura japonesa é comum encontrarmos todos esses gêneros, sendo fortemente marcada com eventos sobrenaturais. As crianças logo cedo são expostas à histórias sobrenaturais, elas são envolvidas com a experiência da morte como algo real e não como algo chocante. Pelo fato do Japão ser um país com constantes desastres naturais, a morte é vista como algo importante e fator crucial para a evolução espiritual do homem. Através do budismo, o praticante da religião aceita a morte e mantém uma postura calma (reage no momento certo e de maneira calma) e também com os preceitos do Buchido (o código de ética samurai) onde a morte é tratada como fato do cotidiano, natural, que todos deverão passar. 

As obras que inauguram a mitologia japonesa são o Kojiki e Nihon Shoki (ambas do século VIII).

Kojiki é a obra mais antiga sobre a história do Japão. O livro é dividido em três volumes e apresenta a construção da mitologia no Japão, justificando o poder divino do imperador e também o nome primitivo do país, Yamato. A obra foi concluída em 712, a mando da imperatriz Genmei. O primeiro volume é dedicado à mitologia japonesa e também conta as peripécias dos deuses. O segundo volume é dedicado às dinastias dos imperadores Jinmu até Oujin. O terceiro marca os reinados dos imperadores Nintoku até Suiko.  Ele é todo escrito em chinês, mas inclui várias expressões e nomes japoneses.





O Nihon Shoki ou Yamatobumi, sendo por vezes traduzidos como Crônicas do Japão, é o segundo livro mais antigo sobre a história do Japão, não acontece em ordem cronológica, porém é mais detalhado historicamente que o Kojiki. Ele contém quase tudo que se sabe sobre o Japão anterior a 887. O início do Kihon Shoki acontece com lendas da mitologia e o relato de eventos históricos do século VIII. O livro foi concluído em 720 e compilado pelo príncipe Toneri Shinnô, terceiro filho do imperador Tenmu, entre outros. A obra é extensa, no total é formado por 30 volumes. Sua compilação começou na época do imperador Tenmu e levou 39 anos para ser concluída. O livro apresenta  muitas citações de obras chinesas e coreanas, o que nos leva a pensar que houve a participação de muitos kika-jin (intelectuais estrangeiros naturalizados) em sua confecção.

Os primeiros capítulos de ambos foram focados em mitos sobre o nascimento e a descendência da grande deusa Amaterasu, a ancestral da longa linhagem de imperadores japoneses, e imperatrizes. Os últimos livros de ambos foram em grande parte limitadas ao que foi feito e dito por descendentes humanos da Grande Deusa. Amaterasu Omikami é a grandiosa Deusa Sol, cujos filhos governaram o Japão. Por isso diz-se que a família imperial descende dela e que daria o poder divino ao imperador. Amaterasu nasceu do olho esquerdo do Deus Izanagi e juntamente com a Deusa Izanami deram luz a todos os outros deuses. O imperador é a presença corporificada, o representante dos céus na Terra. O solo do país também é considerado sagrado, pois nele habitam os corpos dos seus ancestrais. 

Representação da Deusa Amaterasu

A  mitologia japonesa é sempre marcada por três personagens principais: os deuses, os espíritos ancestrais e aparições monstruosas. Um fato curioso é que no Japão quando uma pessoa começava a sentir-se mal de repente, dizia-se que era obra de um Yokai  (espectro, fantasma ou monstro). Quando alguma situação fugia da compreensão humana, dizia-se que era obra desse Yokai, não significava necessariamente uma situação ruim, poderia ser boa também. Na mitologia japonesa encontramos as estações do ano bem definidas e marcadas. Cada estação tem uma característica e cores bem marcadas que influenciam diretamente na vida dos japoneses. A representação de animais como seres possuidores de poderes e com habilidades especiais. 

No Japão, a literatura fantástica de terror começa a ganhar destaque em 1825 com Tsuruya Namboku IV, era uma peça de Kabuki (uma forma de teatro japonês, conhecida pela estilização do drama e pela elaborada maquiagem usada por seus atores) e o seu título original era Tokaido Yotsuya Kwaidan que é geralmente abreviado como Ghost Story of Yotsuya em sua versão inglesa.

Outra obra de igual importância (datada do século XVIII) é Ugetsu Monogatari (possível tradução para o português como Contos da Chuva e da Lua), uma coleção de nove histórias de conteúdo fantástico, escritas por Ueda Akinari; foram adaptadas dos contos de fantasmas chineses. Os livros são classificados como histórias moralistas por conter um caráter educativo, pois abordam questões de ética e moral, um guia para que o homem siga sempre no caminho correto. As histórias ocorrem no Japão (no período de vida do autor) e também em épocas mais antigas, possui inúmeras referências a personagens e acontecimentos históricos da China e Japão, fortemente influenciado pela mitologia japonesa e das filosofias budista, confucionista e xintoísta.  


Um comentário :

  1. Muito interessante, Thales!!
    Isso é material muito especial e enriquecedor, principalmente para quem se interessa pela cultura japonesa!
    E de qualquer modo, mesmo para quem não se interessa, é muito importante conhecer as bases das diferentes culturas, pois elas revelam muito sobre o espírito humano, e sua essência universal.
    Parabéns, ótima escolha e continue com esse foco, com certeza nos ensinará muito assim!

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