Hotel Íris

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Hoteru Airisu
Yoko Ogawa
Editora Leya

Páginas: 208
Ano de Lançamento: 2011
ISBN: 9788580440904

Sinopse
Os leitores mergulharão em uma história de amor sem limites. Mari e sua mãe são proprietárias do Hotel Íris. Modesto mas bem administrado, o estabelecimento em geral tem lotação completa. Como em todas as noites, a jovem Mari toma conta da recepção, e o hotel dorme tranquilamente até que sua paz é interrompida por gritos de uma mulher que sai do quarto insultando o homem que a acompanha. Um cara mais velho, tradutor de romances russos, que mora em uma ilha próxima e é cercado de rumores sobre ter matado a própria esposa. Inocente ou extremamente consciente a jovem penetra na arena do desejo e se apaixona por ele. Mesmo diante do sofrimento que o tradutor lhe inflige, seu desejo é tão grande que, ela o procura dia após dia.

Resenha por Thales Ferreira
Sensualmente alarmante, o livro Hotel Íris da autora japonesa Yoko Ogawa, ultrapassa qualquer barreira de uma narrativa perturbadora. Ogawa é reconhecida e mundialmente premiada por escrever romances intrigantes e que dão expressão para sentimentos obscuros e devastadores. Com personagens de fortes expressões, Yoko nos insere em uma atmosfera onde o sexo se torna algo doentio. Os prazeres da carne sucumbem às dores físicas, é meticulasamente descrito - em uma forma fluida - o leitor sofre enquanto aproveita a riqueza de uma narrativa bem construída.

Mari e sua mãe são proprietárias do Hotel Íris, um hotel que guarda diversos segredos, em uma cidade onde as atrações principais são as muralhas, a maresia e algumas festas tradicionais. Em nenhum momento do livro sabemos a localização exata desta cidade. As referências espaciais se concentram no hotel, no relógio de flores da praça e uma ilha inóspita; tudo acontece nesses ambientes.

Mari, uma jovem de dezessete anos, passa toda sua vida por trás do balcão da recepção. Não conhece ninguém, não conversa com ninguém, não sonha e apenas faz seu trabalho; até que um dia alguém afeta sua rotina. Uma mulher - aparentemente uma prostituta - sai de um quarto aos gritos, insultando o homem que a acompanhava, enquanto ela saia do hotel a única coisa que podia ser ouvida era a voz forte do homem "-Cala a boca, sua puta.". A partir deste momento toda a narrativa é construída. Mari fica absorta com a intensidade da voz deste homem, com sua imponência, com seu tom de ordem. No dia seguinte, impulsionada por uma curiosidade sombria, Mari segue o homem e será levada por desejos sem limites.

Mari, por não conhecer nada do mundo, por nunca ter tido um prazer só dela, é levada a este novo mundo de amor, sexo e sofrimento. O leitor não consegue entender o motivo de sua submissão, de seu encantamento por um homem que somente proporciona a dor e o sofrimento. Esse livro serve como um aviso para todas as adolescentes e até mulheres maduras, quando o amor se torna algo doentio, na situação em que o parceiro pode fazer o que quiser com você, o medo de uma separação forçada e o receio de ser abandonada no mundo; alguma atitude deve ser tomada, para que o amor não se transforme em tragédia.

O homem é apenas conhecido como "o tradutor de russo". É um homem solitário que enclausura todos os seus devaneios sexuais em uma ilha deserta e distante. Enquanto caminha pelo resto da cidade, ele parece um homem normal, amável e de bom porte, porém quando passa aos domínios de seu mundo, o tradutor se transforma em uma pessoa doente, sem limites e até com lances de violência física, moral e psicológica. Ele é um homem que beira a velhice, repleto de desejos reprimidos, se faz de bom moço para conquistar todos os tipos de mulheres, até mesmo uma jovem moça. Durante a narrativa, a autora põe uma dúvida "Será que realmente este homem se apaixonou por alguma mulher? Será que realmente ele amou alguma delas?". As respostas para estas questões apenas aparecerão com a interpretação e leitura de cada pessoa.

Não se trata de um livro de fácil leitura, não tem um tema leve e causa estranhamento em diversas passagens. Em alguns momentos somos tomados por uma raiva e por uma angústia alarmante. Gostaríamos de parar a história e escrever outras linhas. Não é um romance bonito e também não é feito para pessoas sensíveis, que tratam o amor como um sentimento imaculado e puro. O livro mostra todas as formas mais sujas de amor, o tratamento mais violento e os atos mais obscuros de um relacionamento. Nos revela aquilo que não gostaríamos de ler em um livro, porém se mostra como uma das mais belas narrativas. Cada situação vivida pela jovem Mari parece um sonho, uma poesia em meio ao fim do mundo. A morte é revelada como algo sublime, o belo é exteriorizado através das situações mais fortes e intensas, pelo grotesco humano; assim como uma tempestade provoca uma infinidade de sensações, a morte e o sofrimento da carne também nos afetarão na mesma intensidade.

A diferença de idade entre Mari e o tradutor é extensa. Mari faz a idealização de um homem maduro, descompromissado, independente e romântico - que manda cartas de amor. O tradutor se torna uma esperança de largar a vida entediante no hotel, de finalizar com seus afazeres, de se distanciar de sua mãe que apenas se interessa por dinheiro e não por amor. O ideal se torna sua cegueira. Movida por este desejo de ser amada, de ser importante para alguém - não somente a recepcionista de um hotel - que fará de Mari uma escrava sexual. A descrição das cenas de sexo é poética, intensa e por muitas vezes chocantes - de sadomasoquismo. Mesmo as cenas mais fortes, são narradas de forma sutil, bela e estimulante. A descoberta da sexualidade é feita da pior maneira possível, envolta em um ambiente de amor e ódio, segredos e desconfiança; de uma maneira perturbadora.    

O livro é um convite para novas sensações e novas experiências. Indico para todos os leitores que procuram algo novo, que foge completamente aos romances padronizados e que gostam de uma boa tragédia.


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