Onde Vivem os Monstros

sábado, 22 de outubro de 2011

Where The Wild Things Are
Maurice Sendak
Editora Cosac Naify

Tradução: Heloisa Jahn
ISBN: 978-85-7503-823-9
Páginas: 40




Sinopse
Com mais de 18 milhões de exemplares vendidos só nos Estados Unidos, vencedor dos principais prêmios literários, traduzido para mais de 20 idiomas, aclamado pela crítica - e um dos favoritos de Barack Obama (assista ao vídeo em que ele conta a história a um grupo de crianças), finalmente é publicado em português o principal livro do ano: Onde vivem os monstros, de Maurice Sendak. O próprio autor selecionou a Cosac Naify para ser a editora do livro no Brasil. Após três anos de negociação, a Cosac Naify foi aprovada pelo autor e ilustrador, por seu cuidado editorial.

A edição brasileira é caprichada como a original: papel importado, capa dura, sobrecapa e tecido na lombada. Como aposta em repetir o sucesso que o livro tem no exterior – o preferido do presidente norte-americano Barack Obama -, a primeira tiragem do livro de 10 mil exemplares chegará nas livrarias em outubro, pouco antes do videogame.

Na história escrita em 1963, o garoto Max, vestido com sua fantasia de lobo, faz tamanha malcriação que é mandado para o quarto sem jantar. Lá, ele se transporta para uma floresta, embarca em um miniveleiro, navega pelo oceano, até chegar numa ilha, onde vivem os monstros. Com o seu olhar firme, consegue dominá-los e é coroado rei. Max, então, fica livre para mandar e desmandar, longe de regras ou restrições. Mas, quando a saudade de casa e daqueles que realmente o amam começa a apertar o peito, Max fica em dúvida sobre suas escolhas.

Em janeiro de 2010, o filme chega aos cinemas brasileiros. Onde vivem os monstros faz parte da biblioteca básica de todo leitor. O maior clássico da literatura infanto-juvenil.

Resenha
Max, o protagonista do livro Onde Vivem os Monstros, do autor norte americano Maurice Sendak, e da obra cinematográfica de mesmo título, é uma criança como outra qualquer; tem uma necessidade de chamar atenção e de ser notada. Essas suas características lhe fornecem condições ideais para o surgimento de conflitos com sua mãe e com seu padrasto, o que o levará a criar uma realidade completamente nova na qual ele mesmo terá que enfrentar. Primeiramente de maneira lúdica, os seus próprios medos e anseios.

Utilizando-se de agressões, de gritos e de destruições, Max exterioriza o seu lado "selvagem" e esconde por debaixo de uma roupa de lobo toda a sua raiva reprimida devido a um novo relacionamento afetivo de sua mãe. Crianças agressivas e antissociais comportam-se de maneira impulsiva, irritadiça e desordeira para alcançar o seu principal objetivo: eliminar os eventos ameaçadores, perigosos e perturbadores; desta maneira elas podem minimizar os efeitos negativos de uma situação indesejada. Neste contexto, a situação conflituosa é a possibilidade de ganhar um padrasto, que deve ser rapidamente eliminada.

A presença de um novo indivíduo do sexo masculino em sua casa, desperta novos sentimentos psicologicamente perturbadores, de anseios e angústias em Max. O padrasto adquire um papel de vilão na vida de seu enteado. Ele carrega consigo a imagem previamente formulada de um estranho, que provoca a "separação" entre mãe e filho ou vice-versa; entra sem permissão em suas vidas, que um laço preestabelecido de confiança e inaugura uma nova ordem triangular pai - mãe - filho, que desencadeia atitudes de rebeldia e irritação na criança (Corneau, 1995).

A mãe de Max, que tem uma vida atarefada, procura equilibrar as responsabilidades do trabalho com a tarefa de ser uma mãe presente para o seu filho, mas na atual fase de vida e desenvolvimento de Max, apenas o equilíbrio não é o suficiente. A única opção viável para Max consiste na fuga da realidade em decorrência de uma atmosfera familiar de desentendimentos, tanto uma fuga mental como física. Seguindo o processo natural de insatisfação com o ambiente caseiro que perde a representação de um espaço de conforto e segurança. Max toma decisão de deixar a sua casa. Ele constrói um mundo imaginário, representado por uma ilha, e nela faz amigos imaginários - dando-lhes vida e estabelecendo interação - com caracterizações de monstros assumindo formas estilísticas e psicológicas variadas. Segundo Haris (1996), a imaginação ajuda na construção do lúdico e do improvável, já que coloca em segundo plano a realidade do cotidiano, possibilitando a experiência e o contato com o desconhecido e "de um outro", mesmo que seja imaginário.

O lúdico, segundo Luckensi (1994), é definido como "modo de ser do homem no transcurso da vida: o mágico , o sagrado, o artístico, o científico, o filosófico, o jurídico são expressões de experiência lúdica constitutiva da vida" (p.51). O lúdico representa uma expressão criativa de se reconstruir a vida de modo que a permeie em um misto entre o desconhecido e a expressão fictícia da realidade. A criança através da imaginação pode liberar emoções enclausuradas e encontrar um alívio para preocupações, frustrações e desentendimentos passados. Max recorre ao lúdico em todos os momentos.

Os primeiros desafios encontrados por Max se baseiam na realização de duas tarefas, primeiramente se tornar rei daquela sociedade de monstros e segundo afastar toda a tristeza que eles sentiam.

A figura do rei transcende uma hierarquia perante o pequeno grupo. Max garante um lugar destaque, que acompanha a responsabilidade de se tomar as decisões certas. Ele garante uma posição de líder quando é reconhecido como rei, e carrega consigo a esperança dos monstros de terem uma vida feliz. Tanto Max como qualquer ser humano, necessitam de reconhecimento da sociedade para que se possa estabelecer uma identidade. Max fica feliz com o fato de sua nova identidade ser um rei, pois na articulação do pensamento infantil não existe perigo ou nada que não possa ser consertado. Max pensa nas vantagens que um rei pode conseguir, utilizando-se da metáfora, ele não seria "comido" pelos monstros, ou seja, ele não seria absorvido pela opressão de um grupo também em conflito.

Afastar toda a tristeza que os monstros sentiam representa a missão de Max ao decorrer de toda a obra. Ele cria um escudo que afasta toda a tristeza e infelicidade. Esse primeiro ato caracteriza o escudo como um espelho, ele tem a função de refletir tudo que não se quer enxergar. A ficção e o lúdico conseguem transformar um objeto em uma proteção psicológica humana, para não se envolver uma situação de infelicidade e preocupação, o mais fácil é refletir para o seu exterior, bem longe de nossa consciência (Bernardo, 2004).

Max tenta trazer novas atividades para o grupo, propõe situações tipicamente infantis: eles dormem juntos formando um grande amontoado "humano", eles dançam, correm, gritam e se divertem; até que uma hora tudo isso acaba. Ele enfim percebe no que consiste a tristeza sentida pelos monstros. A infelicidade dos monstros é causada pela grande diferença de pensamento de cada integrante do grupo, o que promove incompatibilidades. Todos eles possuem sentimentos e reações diferentes, uns são agressivos e impacientes, outros são amáveis e generosos.

No último momento da obra, Max entende que cada ser é diferente um do outro, mas não representa que não possam viver em grupo e em harmonia. A criança depois de um tempo percebe que sozinha ela não consegue sustentar situações difíceis, mesmo que esteja no comando, mesmo que seja um "rei". Ele resolve voltar para a realidade e desfaz todo esse mundo, voltando exatamente para o ponto de partida - a sua casa.

Ele volta para o convívio de sua mãe e sua experiência lúdica o ajuda a compreender melhor que a presença do padrasto na família não é sinônimo de infelicidade; é fator crucial para a construção de um novo sentido para sua concepção de família, um contentamento em "grupo".

Referências
BERNARDO, G (2004). A Ficção Cética. São Paulo: Vozes.
CORNEAU, G (1995). A Desconstrução do Masculino. Rio de Janeiro: Rocco.
HARRIS, P.L. (1996). Criança e Emoção - O desenvolvimento da compreensão psicológica. São Paulo: Martins Fontes.
LUCKENSI, C.C. (1994). O Lúdico na Prática Educativa in Tecnologia Educacional, 22, 51-52.
SENDAK, M (2009) Onde Vivem os Monstros. São Paulo: Cosac Naify.

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