ISBN 13: 9788579611506
Páginas: 214
Sinopse
O livro traz em suas páginas uma personagem sem nome e
sem sexo, que revela o sofrimento e os prazeres de sua vida em morte.
Transformada em vampiro, seus instintos e sensações se aguçam.
Os relatos, que parecem ter sido sussurrados, oferecem
ao leitor um retrospecto da infância da personagem até o desfecho de sua
história.
Resenha por Lean Lioncourt
Resenha por Lean Lioncourt
“Não sei o que sou, nem mesmo o que me tornei. Também
não entendo os motivos que me fizeram chegar aqui onde estou”. Com esta frase
se inicia o livro.
Uma obra fascinante, intrigante e estritamente única
em leitura. Narra uma epopeia forçada de um vampiro recém-nascido, em busca de
vingança e compreensão acerca da sua condição atual. Como tema principal além
da transfiguração, vemos a exigência da assexualidade do personagem. Ora mostrando-se feminina
em atitudes de macho, ora masculino em atitudes de fêmea, dando um toque
particular à obra. É como uma transliteração do conceito do Vampiro clássico
trazido à uma modernidade que acabou sendo feliz em médio, já que perdeu um
pouco desta mesma psiquê gótica que pretendia.
Tem uma linguagem branca, sensual sem ser vulgar, sedutora e por ser um livro curto, acaba deixando a ideia de que não está completo. Muitas questões pairam antes e durante, talvez esperando que o vitríolo do autor exceda os limites normais - como parece ter acontecido - novamente e que a obra tenha uma definição a seguir. Ainda na questão da linguagem, toma-se uma cacofonia que poderia até ser agressiva mas acaba mostrando a fragilidade real do vampiro novo.
Sua dependência do Mestre, sua necessidade de
exposição, sua abordagem de vingança por desejo, tudo isso acaba nos conquistando
a atenção. É como se, dando nossos poderes a um jovem perturbado, ele pudesse
se tornar seu próprio herói.
Ainda na escola antiga, o autor (mesmo sendo um jovem
mestre) consegue explorar bem o caracter Hemingway de categorizar cada pequena
ação ou reação com seus dotes mais singelos ao descrever uma brisa da manhã de
outono ou a tão famigerada sensação de Mariposas ao estômago.
Ao passo de uma cronologia também curta (estimo que
alguns poucos meses), chegamos novamente à questão da vivência absoluta, sem
restrições e - parabolas in loco - o tão sonhado desapego que todo neófito
sonha ter quando aprende do Sangue Negro.
O autor não esclarece, como foi dito, todas as questões
talvez para ter o elo da próxima edição que poderá ser tão grande quanto esta
primeira foi. É belo, artístico, profundo, eviscerante, nostálgico e
bem adaptado.
Falando ainda da assexualidade, achei uma boa saída
para não precisar estereotipar o protagonista (como grandes nomes o fizeram
antes).
É sedutor e por vezes ultrapassa este limite, nos
fazendo amar o personagem e ainda desejá-lo. Cria-se uma rotina no livro, mas
até então pelo olhar do conhecedor, seja algo que ainda não é discutido abertamente, logo, esta rotina é fundamental para adaptação tanto da questão
humana perdida quanto da monstruosidade aceita.
É uma obra que mexe no físico e no químico do leitor,
seja para o bem ou para o mal. Muitos o abandonarão nas primeiras doze páginas
mas aos que continuarem garanto que serão recompensados com uma profundade
instigante e uma história relevante até mesmo a aprendizado mesmo não tendo
como foco esta intenção.
Enfim, recomendo este livro para o Hall da Literatura
sombria e o autor para um breve beijo de sangue.
Para bibliografia
SCHIAVO, Juliano. O Silêncio das Mariposas. Brasil: Multifoco,
2010.





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