O Silêncio das Mariposas

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Juliano Schiavo

ISBN 13: 9788579611506 
Páginas: 214

Sinopse
O livro traz em suas páginas uma personagem sem nome e sem sexo, que revela o sofrimento e os prazeres de sua vida em morte. Transformada em vampiro, seus instintos e sensações se aguçam.

Os relatos, que parecem ter sido sussurrados, oferecem ao leitor um retrospecto da infância da personagem até o desfecho de sua história.

Resenha por Lean Lioncourt
“Não sei o que sou, nem mesmo o que me tornei. Também não entendo os motivos que me fizeram chegar aqui onde estou”. Com esta frase se inicia o livro.

Uma obra fascinante, intrigante e estritamente única em leitura. Narra uma epopeia forçada de um vampiro recém-nascido, em busca de vingança e compreensão acerca da sua condição atual. Como tema principal além da transfiguração, vemos a exigência da assexualidade do personagem. Ora mostrando-se feminina em atitudes de macho, ora masculino em atitudes de fêmea, dando um toque particular à obra. É como uma transliteração do conceito do Vampiro clássico trazido à uma modernidade que acabou sendo feliz em médio, já que perdeu um pouco desta mesma psiquê gótica que pretendia.


Tem uma linguagem branca, sensual sem ser vulgar, sedutora e por ser um livro curto, acaba deixando a ideia de que não está completo. Muitas questões pairam antes e durante, talvez esperando que o vitríolo do autor exceda os limites normais - como parece ter acontecido - novamente e que a obra tenha uma definição a seguir. Ainda na questão da linguagem, toma-se uma cacofonia que poderia até ser agressiva mas acaba mostrando a fragilidade real do vampiro novo.

Sua dependência do Mestre, sua necessidade de exposição, sua abordagem de vingança por desejo, tudo isso acaba nos conquistando a atenção. É como se, dando nossos poderes a um jovem perturbado, ele pudesse se tornar seu próprio herói.

Ainda na escola antiga, o autor (mesmo sendo um jovem mestre) consegue explorar bem o caracter Hemingway de categorizar cada pequena ação ou reação com seus dotes mais singelos ao descrever uma brisa da manhã de outono ou a tão famigerada sensação de Mariposas ao estômago.

Ao passo de uma cronologia também curta (estimo que alguns poucos meses), chegamos novamente à questão da vivência absoluta, sem restrições e - parabolas in loco - o tão sonhado desapego que todo neófito sonha ter quando aprende do Sangue Negro.

O autor não esclarece, como foi dito, todas as questões talvez para ter o elo da próxima edição que poderá ser tão grande quanto esta primeira foi. É belo, artístico, profundo, eviscerante, nostálgico e bem adaptado.

Falando ainda da assexualidade, achei uma boa saída para não precisar estereotipar o protagonista (como grandes nomes o fizeram antes). 

É sedutor e por vezes ultrapassa este limite, nos fazendo amar o personagem e ainda desejá-lo. Cria-se uma rotina no livro, mas até então pelo olhar do conhecedor, seja algo que ainda não é discutido abertamente, logo, esta rotina é fundamental para adaptação tanto da questão humana perdida quanto da monstruosidade aceita.

É uma obra que mexe no físico e no químico do leitor, seja para o bem ou para o mal. Muitos o abandonarão nas primeiras doze páginas mas aos que continuarem garanto que serão recompensados com uma profundade instigante e uma história relevante até mesmo a aprendizado mesmo não tendo como foco esta intenção.

Enfim, recomendo este livro para o Hall da Literatura sombria e o autor para um breve beijo de sangue. 


Para bibliografia
SCHIAVO, Juliano. O Silêncio das Mariposas. Brasil: Multifoco, 2010.

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