O Livro do Cemitério

terça-feira, 4 de outubro de 2011


The graveyard book
Neil Gaiman
Editora Rocco

Tradução: Ryta Vinagre
Ilustrações: Dave Mickean
ISBN 13: 9788579800122
Páginas: 329

Sinopse
Enquanto seus pais e irmã são impiedosamente assassinados por um misterioso homem chamado Jack, um bebê consegue escapar de seu berço e se aventurar pelo mundo. Uma série de coincidências, aliada a uma grande dose de sorte, salva o pequeno de ter um destino tão trágico quanto o de sua família. Este é o cartão de visitas de O livro do cemitério, mais nova obra do cultuado britânico Neil Gaiman. Ganhador da medalha John Newberry, a mais prestigiada premiação da literatura infantojuvenil norte-americana, o livro permaneceu na lista dos mais vendidos do The New York Times por mais de 50 semanas e chega agora às livrarias do país.

Com um começo sombrio e violento, diferente do seu habitual, o escritor inglês provoca arrepios no leitor. A história do bebê sortudo e fujão começa quando ele chega à rua e sobe a colina em direção ao velho cemitério. Ele é perseguido pelo assassino de seus familiares, o homem chamado Jack. Já dentro do cemitério o neném conhece os habitantes do local. Fantasmas de outras épocas que vivem em suas covas e mausoléus e que por circunstâncias do destino são forçados a adotar e batizar o bebê, agora chamado de Ninguém Owens, o Nin, para salvá-lo do seu perseguidor.

Ninguém passa a viver no cemitério da colina, adotado por um simpático casal de fantasmas e amado pelos outros moradores do lugar. Um misterioso morador, Silas, assume a responsabilidade de ser o guardião do garoto. Único vivo que mora no cemitério, apesar dos seus hábitos nortunos e habilidades fantásticas, ele é o responsável por trazer comida, livros e tudo que o garoto precisa do mundo terreno dito “normal”.

Com ternura e talento, Gaiman narra as aventuras de Ninguém pelos caminhos do cemitério. Entre lápides e covas, junto a velhos fantasmas, almas penadas e até mesmo uma feiticeira enforcada, o leitor acompanha o crescimento de Nin, desde um pequeno bebê, até um jovem adolescente. Mas mesmo depois de todo este tempo a sombra do seu perseguidor ainda paira sobre o jovem. E o destino caminha para um embate final entre os dois, quando Ninguém descobre muito mais do que esperava sobre o mundo e as pessoas.

Assim como fez em Coraline e Os lobos dentro das paredes, Neil Gaiman cria um mundo fantástico e fascinante, desta vez dentro de um pequeno cemitério. Ninguém e seus companheiros de cemitério são personagens adoráveis e mesmo os mortos são cheios de vida e alegria como raramente se acha em outros livros. Mais uma vez com o acompanhamento de luxo das belas (e sombrias) ilustrações de seu velho colaborador Dave Mckean, Gaiman apresenta um livro estupendo. E fica claro porque é um dos mais badalados escritores da atualidade. Com toda justiça.


Resenha por Lean Lioncourt
"Para Ninguém Owens, criado desde bebê por fantasmas e seres de outro mundo, a morte é apenas a morte e o perigo está na vida, do outro lado dos portões do Cemitério. Lidar com os vivos é a lição mais difícil que o menino terá de aprender. Tão difícil quanto crescer."

Uma das primeiras obras com toques juvenis de Gaiman, tantos anos escrevendo sobre o darkside com seu coroado Sandman. Neste livro, povoado de rimas e alusões, o autor mostra a interação entre os mortos e o vivo, nosso protagonista, tendo sido criado no cemitério por um casal desencarnado e tendo como tutor uma figura sinistra e espectral. Com interações no tempo, o autor mostra o crescimento de Owens e a perseguição que o envolve, motivo inicial de sua ida quando bebê acidentalmente ao cemitério. Há muitas fábulas já citadas por Gaiman em outras obras, incluindo festividades obscuras tipicamente inglesas.

No texto, há um traço paralelo entre a juventude normal e inclinação sobrenatural, tendo o nosso protagonista sido educado por almas, tanto em Geografia e História quanto em Assombração módulos I e II, Sustos e Desmaterializações. É um livro jovem, mas nem por isso, leve. Ao passo que Ninguém amadurece, precisa desvendar sua origem e revelar alguns segredos passados, além claro, de lutar pela sua sobrevivência. Teorias de conspiração, perseguições, paranormalidade e a tão conhecida interação entre espécies sobrenaturais, mesmo que pouco esclarecidas, marcam o enredo do livro e é com este rumo que o autor começa e termina.

Destaco aqui a fidelidade como foi tratada quanto ao escrever sobre um poeta morto. Ele usa um léxico particular, deixando evidente o período do citado e consequentemente tornou-o mais realístico, definindo a linguagem como realmente algo temporal e obrigatoriamente assimilável.

No aspecto psicológico, maior marca de Gaiman com suas odes humanas aos não-humanos, também foi fiel. Usando de todos os personagens, ele evidenciou suas características pessoais e públicas, gerando uma identificação notável com o meio. Mostrar um fantasma educando um menino vivo a coisas de fantasma, é excepcional. E claro, a Gaiman não ia escapar a veia paranormal que ele sempre expressa a quem o conhece, seu famoso adágio de que ‘os humanos o são por falta de vontade. Não de opção.

Em suma, é uma obra cativante e diferente do que se acostumaram os leitores de Neil Gaiman, mas nem por isso, não digna de leitura. Vale a pena cada página, incluindo as ilustrações de Dave McKean que fez brilhantemente o serviço.

Para bibliografia
GAIMAN, Neil. O Livro do Cemitério. Rio de Janeiro: Rocco, 2010.

Um comentário :

  1. Extremamente interessante O Livro do Cemitério, e mais ainda com a resenha do Lean, que devo dizer que aos seus moldes caro Monsieur, é uma análise muito mais do que narrativa, mas da própria essencia do livro.
    Parabéns pelo blog e a resenha!

    ResponderExcluir

A Tribo Participa

Get your own free Blogoversary button!

PUBLICIDADE


Lomadee, uma nova espécie na web. A maior plataforma de afiliados da América Latina.


Lomadee, uma nova espécie na web. A maior plataforma de afiliados da América Latina.

Tribo Apoia

Top Comentaristas

Widget by: Code Box

Clique