Chick Lit - O que venha a ser este tipo de Literatura

domingo, 16 de outubro de 2011

Ironicamente, um gênero que é descrito como escrito e para as mulheres, 
o termo "chick lit" foi usada inicialmente por homens em um tom depreciativo.

Chick Lit foi um termo introduzido pela primeira vez em 1995 por Cris Mazza y Jeffrey DeShell, professores da Universidade do Alabama ao lançarem uma antologia no mínimo irônica chamada Chick Lit Postfeminist Fiction sem tradução em português. Chick Lit trata-se de uma gíria - Chick - chica e Lit - Literatura, ou seja, literatura para "chicas", para nós literatura para mulheres. A estréia do estilo seria com o livro Confesiones de una sociópata y escaladora social: Crónicas de Katya Livingston, escrito por Sue Townsend e mais tarde se firmou com O Diário de Bridget Jones de Helen Fielding, inclusive a escritora afirmou na época do lançamento do livro, que muito da história e dos personagens foi inspirado em Orgulho e Preconceito de Jane Austen. A partir daí, o gênero ficou muito mais popular, - e passou a vender muito, o que não foi ignorado pelas editoras principalmente depois que este livro foi levado para tela do cinema.

Visto como um subgênero do gênero romântico, no geral escrito por mulheres jovens para mulheres jovens, porém há exceções já que também podemos dizer que existem algumas autoras mais velhas que já escreviam esse gênero mesmo antes dessa dupla o nominarem, com por exemplo Nora Roberts e Danielle Steel. Se voltarmos mais para trás no tempo perceberemos que Jane Austen e a irmãs Brontë seriam em verdade as precursoras deste estilo com suas heroínas românticas - se bem que tais heroínas diferem muito das retratadas hoje na literatura Chick Lit -, mas se lermos com atenção os livros que estão hoje no mercado identificaremos muitas semelhanças, com por exemplo, as heroínas chicklit são apegadas a moda e a imagem como as do século XIX; são mais felizes quando rodeadas por um grupo de amigas, onde repartem segredos e histórias; querem ser independentes e têm aspirações profissionais como em Jane Eyre de Charlote Brontë .
Para muitos isso significava que "os homens escrevem sobre o que é importante, enquanto as mulheres escrevem sobre o que é importante para mulheres "(Mazza, 2000:28).
Esta literatura tem como pretensão demonstrar  o leque de experiências que percorre a mulher atual, incluindo o amor, o casamento e todos os problemas. As donzelas em perigo foram substituídas por jovens mulheres independentes, trabalhadores, charmosas, sensuais e no geral solteiras. Querem ser amadas, encontrar o amor de sua vida, porém lidam no seu dia-a-dia com o estresse do trabalho, com a confusão da vida pessoal e social enquanto buscam esse amor. Os homens dos sonhos dessas mulheres não são mais cavaleiros andantes, são educados como Mr. Darcy, mas são desprovidos de preconceito e menos orgulhosos; não têm medo de demonstrar seu lado sensível e terno; são trabalhadores como elas, e  não têm receio em competir com elas. O ambiente desta narrativa normalmente é urbano se passa em Nova York, Londres, Paris ou Dublin. A escrita é em tom irreverente, divertido e aborda de maneira franca temas sobre sexualidade, relacionamentos, problemas femininos, etc.

Nos Estados Unidos, já surgiram algumas variações deste estilo direcionado a um outro tipo de audiência, por exemplo, "Matrona-Lit", escrito especificamente para mulheres maduras; e também está se popularizando o "Teen-Lit" que são livros dirigidos as adolescentes em que se abordam os temas atuais do ambiente estudantil e juvenil, aqui dentro deste "gênero" podemos citar Thalita Rebouças que vem tratando destes temas já algum tempo. Chick Lit se afirma como um gênero que retrata a vida das mulheres, suas esperanças, medos, sonhos e valores. No Brasil, está ganhando forma nas mãos de Paula Pimenta que já ganhou a alcunha de Meg Cabot brasileira, mas ainda somos muito mais abastecidas por traduções de escritoras dos Estados Unidos e da Europa.
(...)outras autoras brasileiras que também desbravam o chick lit – Leila Rego (Pobre não tem sorte), Stella Florence (Hoje acordei gorda) e Fernanda França (Nove minutos com Blanda) - seguem o mesmo caminho, narrativa veloz, piadas que poderíamos ouvir da boca das amigas numa tarde de shopping, ironia inteligente e até a espera pelo príncipe não tem nada de acomodação(...)1
Alguns críticos consideram este tipo de literatura no mesmo nível da literatura infanto-juvenil, ou seja, uma literatura menor, para nós é uma literatura descompromissa e deliciosa de ser lida. Há muitas escritoras surgindo no mercado e pelo fato de haver um desdobramento desta literatura têm-se livros para os diversos gostos. O "subgênero" é Chick Lit, hoje está tão diversificado, que seria justo dizer que tornou-se mais difícil identificar a fórmula central2,  tanto que ele pode ser histórico, sobrenatural ou contemporâneo.

Essas são algumas das várias informações sobre está literatura que tomou conta das prateleiras e está fazendo um enorme sucesso no mundo inteiro. Estima-se que no Brasil no último ano, aumentou em mais de 30% o número de mulheres que lêem. Tal fato é extremamente positivo, porque em meados do século XIX, a maioria das mulheres alfabetizadas liam muito.


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(1) http://www.atarde.com.br/cultura/noticia.jsf?id=1487755
(2) http://ddd.uab.cat/pub/452f/20133294n3p70iSPA.pdf 
http://www.liliputediciones.com/pdf/dossierchickfreak.pdf
http://es.wikipedia.org/wiki/Chick_lit
MAZZA, Chris e DESHELL, Jeffrey (org).Chick Lit Postfeminist Fiction .Editora: Alabama Univ Press, 2000                              

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