A Caixa Preta

terça-feira, 18 de outubro de 2011

The Black Box: An Epistolary Novel
Amós Oz
Companhia das Letras

Tradução: Nancy Rozenchan
ISBN: 8571643563
ISBN-13: 9788571643567

Sinopse
Que segredos pode conter a caixa preta de um avião que caiu? Revelações sobre as razões da queda, gritos de horror, pânico, tentativas desesperadas de salvação - vestígios da catástrofe. O romance do israelense Amós Oz tem tudo isso, mas a caixa preta a que se refere o título não pertence a um avião, e sim a uma relação amorosa desfeita. Anos depois do divórcio escandaloso, a esposa rejeitada Ilana emerge das cinzas do tempo, da distância e do rancor para passar a limpo seu casamento com Alex Guideon, professor e escritor mundialmente famoso.


Resenha por Gio Vaz
O que mais me surpreendeu em "A Caixa Preta" é o modo como Amóz Oz nos apresenta a história. O livro é uma sequência de cartas e telegramas, de modo que o enredo só nos é apresentado de acordo com a versão de cada personagem e com muitos “buracos”, segredos guardados. Logo no começo reparei o efeito que isso teria em mim, pois ao ler a primeira carta estava indignada com o destinatário, porém em seguida li sua resposta e minha posição se tornou incerta. A cada documento, a cada ponto de vista, a história só vai ficando mais difusa entre as acusações de cada envolvido e nos encontramos reavaliando aquilo que achávamos que tínhamos entendido. Com o passar dos capítulos o leitor começa a se dar conta que não importa o que realmente aconteceu e sim como cada um sente ou acredita que foram os fatos.

O título faz referencia aos equipamentos de registro dos aviões, utilizados quando ocorre um desastre, para se saber de todos os detalhes e tentar entender o que aconteceu. Só que não se trata de um acidente aéreo e sim de um resgate na tentativa de compreender o que ocasionou o fim de um casamento. Digo um resgate, pois essa troca de correspondência só se inicia sete anos após o divórcio com muitos assuntos interrompidos e emoções engavetadas.

Outro detalhe que impressiona é que ao longo do livro, ao ler a primeira frase da carta já sabemos quem é o remetente sem ter que chegar até o final e conferir a assinatura da correspondência. Oz assume cada personagem.

O motivo para essa reaproximação é o filho do casal separado, Boaz, que se encontra sem perspectiva de futuro e encarando vários problemas devidos a sua agressividade. Sem saída, Ilana recorre a seu ex-marido Alec Guideon, um bem sucedido escritor que desfruta de uma enorme herança do pai, com a autorização de seu atual marido, um líder tradicionalista de Israel, Michel-Henri Sommo. Alec mora nos Estados Unidos e Ilana em Jerusalém. A partir daí vão se reacendendo ódios, frustrações e o leitor se vê envolvido em descrições íntimas das vidas deles. Em alguns momentos, me senti até incomodada como se estivesse invadindo a privacidade do casal, afinal são cartas que não foram endereçadas a mim.

Na carta de 19/4/1976:
“Mesmo agora, depois de sete anos, quase às três da madrugada, quando registro a lembrança daquele momento, meu corpo procura você. As lágrimas enchem meus olhos e há uma espécie de estremecimento nos bicos dos meus seios”

E, mais adiante, referindo-se ao atual marido dela:
“...Michel-Henri Sommo é muito melhor do que você na cama... Em qualquer momento ele sempre sabe me proporcionar, e em abundância, o que o meu corpo nem sequer sabe que anseia receber...”

E mais:
“Na verdade, não apenas Michel. Quase todos eles poderiam ter ensinado uma ou duas lições a você. Até o rapaz albino que era seu motorista no Exército: casto como um cabrito, talvez no máximo dezoito anos...”

Para bibliografia
OZ, Amós. A Caixa Preta. São Paulo: Companhia das Letras, 1993.

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